“Sexo e as Nêga” não nos representa – porque não é disso que precisamos!

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Ooi pessoal! Hoje eu venho aqui não para fazer um post descontraído como os em geral. Venho conversar com vocês sobre um assunto mais sério, pois assim como vejo o blog para nos distrairmos de alguns problemas do dia a dia, o enxergo também como um espaço que cabem debates como o que teremos a seguir.

Penso que boa parte de vocês já devem estar informados da nova série da tv Globo: Sexo e as Nêga. Assinada pelo Miguel Falabela, homem branco cisgênero (lê-se privilegiado na sociedade), ela é mais um desfavor dessa rede televisa para o nosso país. Mais um desfavor para a população negra, sobretudo às mulheres.

Primeiro porque apesar de vivermos num país tão miscigenado e que por isso deveria respeitar todas as culturas e etnias presentes em seu território, não vivemos numa democracia racial. Isso está mais para uma fantasia que tentam empurrar goela a baixo e que cai por terra facilmente. É só se perguntar por que os brasileiros mais pobres são negros, porque indígenas ainda lutam para conservação de suas tribos contra empreendimentos, porque homens brancos ganham muito mais que os negros, porque na televisão e em toda publicidade vemos quase que exclusivamente pessoas com traços caucasianos, sendo que não é esse o predominante no Brasil.

Segundo porque quando falamos das mulheres negras, elas parecem ter nascido numa intersecção azarada, afinal todas são feias, não passam de objeto de satisfação sexual, estão aqui pra toda vez limpar a sujeira, barraqueiras por essência, incultas e nunca passíveis de aprendizagem. Pelo menos é que se prega por todo canto e a TV Globo tem bastante participação nisso, já que foi por décadas e ainda é o cuspidor de informações que mais alcança os brasileiros. Não pensem que outras emissoras não perpetuam o racismo e outras formas de preconceito na nossa sociedade, mas destaquei aquela pela última façanha racista e machista que estreou na sua programação: a tal minissérie “Sexo e As Nêga”.

Enquanto escrevia esse texto vi a notícia de que um dos culpados das mulheres estupradas e assassinadas em Queimadas, Pernambuco, foi julgado e recebeu mais de 100 anos de prisão. Foi realmente bom ver que as vítimas de um caso como esse não foram tomadas como culpadas, pelo menos pela Justiça Federal. Mas na mesma hora percebi que todas aquelas mulheres eram brancas e me veio à cabeça que a Cláudia, mulher negra arrastada por ruas presa a um carro da polícia, não teve seus agressores presos. E tantas outras Cláudias entram nessa estatística e não tem seus agressores punidos depois dos casos de violência, seja arrastada por uma viatura, estuprada, assassinada ou até mesmo porque não recebeu a atenção médica devida em sua gravidez.

É por conta dessa e outras situações que hoje eu trago algumas ideias que mostram o porquê de “Sexo e as Nêga” não deve ser a representação das mulheres negras na TV. Como muitas blogueiras negras e feministas já escreveram sobre isso e eu concordo com suas colocações, preferi não prolongar muito por aqui para não repetir tudo o que já foi falado. Por isso, sinto obrigação de disseminar as ideias por aqui, até porque, como se não bastassem as imagens de “globeleza” e “mulata tipo exportação” no carnaval, nós mulheres negras não vamos aguentar mais uma vez ver nossos corpos sendo hiperssexualizados em rede nacional!

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Texto 1 : Sobre falas – belas de Lucinda, sexo, as negas, corações e suburbanos. Por Gabriela Ramos. 

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Texto 2 : Ah! Branco, dá um tempo! Carta aberta ao senhor Miguel Falabella. Por Blogueiras Negras.

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Texto 3:  Ô Ô Ô Ô Ô my brother – não é meu aliado quem me marca a ferro. Por Maria Rita.

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Texto 4: “Eu, Globeleza aos 5 anos (e porque “Sexo e as Negas” não me representa).” Por Stephanie Paes.

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SEXO E AS NÊGA NÃO NOS REPRESENTA!

Imagens reproduzidas daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e daqui.

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