6 mulheres que revolucionaram o mundo da moda!

Reprodução:  www. UN. org

Reprodução: www. UN. org

8 de março: dia internacional da mulher.  O porquê? No ano de 1857 cerca de 130 trabalhadoras de uma fábrica de tecidos em Nova York foram assassinadas.  O motivo foi o “atrevimento” das moças ao requererem redução da carga horária, equiparação dos salários com o dos homens e melhores condições de trabalho. Em sua homenagem, 118 anos após o fato, em 1975, a data começou a fazer parte do calendário oficial da ONU.

Não se engane achando que essa é uma festividade simplesmente, onde se recebem flores e chocolates de algum homem próximo. Mais importante do que isso, o oito de março serve para lembrar que ainda hoje, nós, mulheres, temos que lidar com salários inferiores, objetificação, modelos de beleza impossíveis, trabalho dentro e fora de casa, além violação dos nossos corpos, nos quatro cantos do planeta.

E porque falar sobre mulheres que fizeram alguma diferença na história? Fácil: para que cada uma possa se espelhar nelas sabendo que são capazes de fazer e serem o que quiserem, ainda que muitos afirmem o contrário.

Hoje vou falar de algumas que se destacaram pela moda. Alguns de vocês podem pensar que isso é um pouco contraditório já que se conhece os abusos da indústria da moda. Porém, mais que simples cabides de roupas, as mulheres no universo da moda representaram e ainda representam outras – e grandiosas- coisas. Vejam só!

Ann Lowe:

Reprodução: BlackBride.com

Reprodução: BlackBride.com

Nasceu no final do século 19 no estado do Alabama, na pequena e rural cidade de Clayton e fez sucesso nas décadas de 50 e 60 do século seguinte. Neta de ex-escravos, Ann passou a infância rodeada pelo mundo da costura, já que sua avó e mãe eram costureiras. Quando aos 16 anos sua mãe moreu, Ann teve que tomar frente dos negócios da família, mas com parte de seu talento já desenvolvido tornou-se a costureira mais procurada em Clayton. Em Tampa, na Florida, conheceu Josephine Lee, socialite do local que incentivou Ann a estudar em Nova York a fim de que ela pudesse ter mais conhecimento sobre sua arte. Foi, mesmo com o marido não aprovando. Na metade do curso, que deveria durar um ano, Lowe já estava formada, tendo frequentado as aulas separadas do resto de sua turma por ser negra. Daí em diante, o sucesso de suas produções únicas só aumentou. Sua mais conhecida criação foi o vestido de casamento de Jacqueline Kennedy, mulher do antigo presidente dos Estados Unidos, mas a relevância de suas obras está espalhada por museus como o Museum at the Fashion Institute of Technology, o Metropolitan Museum of Art e o Smithsonian National Museum of African American History and Culture.

Fonte:http://www.thefashionhistorian.com/2014/02/ann-lowes-early-career.html

Coco Chanel:

Reprodução: Ellus.com

Reprodução: Ellus.com

Quem nunca ouviu falar do corte de cabelo Chanel? Sucesso na década de 20, pós 1° guerra mundial, o maior objetivo desse estilo totalmente inspirado na estilista francesa era de ao mesmo tempo em que oferecia praticidade na higienização, as mulheres expressavam o ideal de autonomia que buscavam na época, já que haviam ocupado postos de autoridade nunca antes conquistados durante as batalhas. Coco Chanel descobriu seu talento para a costura quando além de cantar, fazia reparos em roupas para se sustentar no interior da França. A sua grande contribuição pode ser resumida que em busca de mais conforto ela se opôs aos longos, pesados e apertados vestidos, substituindo-os por comprimentos menores e marcações mais baixas, além de introduzir as calças no armário feminino. E foi assim que até 1971 ganhou a vida, apesar de ter vários amores durante sua trajetória como bem mostra o filme “Coco Antes de Chanel”.

Fontes:

http://mulheres-incriveis.blogspot.com.br/2012/04/coco-chanel.html

http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u641760.shtml

Elsa Schiaparelli:

Reprodução: wepick.com.br

Reprodução: wepick.com.br

A italiana Schiap provocou o mundo inteiro com seu rosa-choque. Sim, foi ela a inventora de umas das cores mais chamativas que existem. Foi Elsa também que incorporou de uma vez por todas as artes plásticas nas roupas. Enquanto Chanel criava modelos práticos para o dia a dia, Schiaparelli mixava em suas peças influências como Salvador Dalí e Marcel Duchamp, grandes nomes da arte surrealista, ambos seus amigos. Com o primeiro, em especial, designou o tailleur de onde saíam gavetas e o vestido lagosta. Foi assim, representando os sonhos por meio de tecidos que de certa forma ela fazia com que as mulheres se destacassem em todos os ambientes que circulassem.

Fontes:

http://almanaque.folha.uol.com.br/schiaparelli_historia.htm

Vogue Brasil n° 405 (Maio, 2012), pg. 67, “Vida Chocante”, ASTUTO, Bruno.

Lupita Nyong’o:

Mas o que uma atriz faz no meio de tantas estilistas? Calma que eu explico. A méxico-queniana que despontou no ano passado como uma das revelações de Hollywood, tendo ganhado o Oscar de “melhor atriz coadjuvante” por sua representação em “12 Years a Slave” (Doze Anos de Escravidão), logo tornou-se matéria em grandes revistas de moda. Isso fez com que váááárias meninas negras ao redor do mundo (inclusive a que vos fala) aumentassem a sua autoestima ao verem uma mulher negra fazendo tanto sucesso como ela estava a fazer. Para vocês terem dimensão do caso, num discurso para o “Essence Black Women in Hollywood”, promovido pela revista estadunidense “Essence”, ela leu um pedaço de uma carta que havia recebido de uma jovem menina. Essa adolescente relatava que por conta do destaque de Lupita na mídia internacional ela não se via mais pressionada a tentar clarear sua pele com produtos clareadores (sim, isso existe e é um absurdo.). Já que padrões de beleza estão tão atrelados à moda, nada mais justo do que trazer aqui uma mulher que lembrou a todos que o bonito se apresenta de inúmeras formas pelo mundo a fora.

Fontes:

http://blogueirasnegras.org/2014/04/03/gratidao-lupita-nyongo/

https://www.youtube.com/watch?v=ChpriB5ktGg

Pat McGrath:

Reprodução: rmkvisions.blogspot.com

Reprodução: rmkvisions.blogspot.com

Em 2012 fiz um post em que apresentei a Pat a vocês (leia aqui). Naquela época, ela recebeu o título de maior maquiadora do mundo. Isso veio graças a suas maquiagens surpreendentes, com produção completamente artística. Por isso ela é referência internacional para inúmeros maquiadores, com o Sadi Consati, que vibrou ao conhecer a britânica. O interessante é que apesar das extravagâncias ao pintar os outros, ela sempre aparece com uma maquiagem simplíssima, e quando digo simples, falo em neutra. Neutralidade, aliás, é sua marca registrada, pois suas roupas também são assim, geralmente pretas. Hoje me senti na obrigação de relembrá-la nesse post porque conhecendo o trabalho da Pat durante esses quase três anos entendi realmente o motivo de ela ser tão vangloriada no universo da moda. Não á a toa que Prada, Miu Miu, Dior, Dolce & Gabbana, Lanvin, Valentino, Louis Vuitton, Viktor & Rolf, Stella McCartney, Jonh Galliano… continuam a solicitar o trabalho dela.

Fonte: http://www.vogue.co.uk/person/pat-mcgrath

Zuzu Angel:

Brasileiríssima. Penso que esse seja o melhor adjetivo para a estilista mineira que buscou representar em suas peças a identidade nacional no cenário internacional. “Sua roupa, como poesia pra se vestir, tinha características baseadas no tropicalismo brasileiro com estampas de chita, vestidos inspirados em Maria Bonita e Lampião, estampas de anjinhos sobrevoando as nuvens, xadrezes com padrões singelos de cores e formas, pássaros e florais com releituras naif.” Assim sua obra é descrita no perfil de quem ela foi, disponível no Instituto Zuzu Angel, criado por sua filha Hildegard após a morte da mãe. Seu falecimento nos leva a outra questão. Stuart Angel, seu primeiro filho, foi assassinado durante a ditadura militar. Com suas aparições na mídia, graças a seus desfiles, ela denunciava o assassinato internacionalmente. Assim arrastou nomes como Joan Crawford, Kim Novak, Veruska, Liza Minelli, Jean Shrimpton, Margot Fonteyn e Ted Kennedy para apoiarem a sua luta. Porém, ela foi, também, assassinada num acidente de carro, ainda não muito esclarecido, no ano de 1976. É também pela busca para saber o paradeiro de seu filho, que essa mulher não pode ser esquecida.

Então é isso. Espero que a história de cada uma dessas mulheres possam ter despertado o porque de hoje, 8 de março, ser tão importante. Até mais! 😉

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3 comentários sobre “6 mulheres que revolucionaram o mundo da moda!

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