#empoderar1: Baile da Vogue 2016, Kylie Jenner, Amandla Stenberg e Apropriação Cultural.

Oooi, gente! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Vocês devem tá se perguntando o que o baile da Vogue 2016 tem a ver com a Kylie Jenner, mais nova das irmãs Jenner-Kardashian, e com a Amandla Stenberg, intérprete de Rue de Jogos Vorazes, né verdade? E a resposta é “Apropriação Cultural”!

Desde já esclareço que esse texto não tem como intenção esgotar as discussões sobre o assunto. Ele também contém as minhas opiniões já que isso é um blog pessoal, mas sintam-se mais que convidados em colocar a de vocês nos comentários. Debates são mais que bem vindos!

Para quem não sabe, o tema escolhido pela Vogue para a festa desse ano foi #PopAfrica, uma tentativa de homenagear o continente africano reduzida a muitos estereótipos racistas. Já a Kylie Jenner, do clã das Kardashians, usou no meio do ano passado um penteado comum nas comunidades afroamericanas que são as tranças rasteiras – ou como dizem nos States, cornrows. Porém, a atriz Amandla Stenberg, intérprete da Rue em Jogos Vorazes (a personagem que morreu nos braços da Katniss, para quem não lembra) mandou a seguinte “indireta” para a Kylie no Instagram dela: “Quando você se apropria de características e da cultura negra, mas falha em usar sua posição de poder para ajudar negros americanos, direcionando atenção em torno do seu penteado ao invés da violência policial ou o racismo”.

E então surge a pergunta: qual o limite entre homenagem e apropriação?

Antes de qualquer coisa, você sabe o que é apropriação cultural? A Nátaly, estudante de Ciências Sociais e blogueira do Afros e Afins, dá uma explicação ótima no vídeo a seguir, mas adiantando, apropriar-se culturalmente é partir de uma estrutura dominante para usar características de culturais alheias – e marginalizadassem respeitar o significado que aquilo tem para o outro. De consequência, o dominante é visto como estiloso e culto, enquanto a comunidade que representa tal cultura continua sendo debochada.

Sobre o baile da Vogue:

Enquanto revistas de moda, como a Elle, estão apostando em mais representatividade nas matérias (leia mais aqui no blog e aqui) de forma bastante válida e necessária, a Vogue Brasil, depois de ter relutado, partiu para uma estratégia totalmente equivocada com o tema da festa este ano. Na verdade, até duvido que “representatividade” tenha sido a intenção, mas imaginemos que sim.

Tudo bem colocar a África como tema? Louvável seria, mas se fosse bem trabalhado, caramba! Ok, alguém chegar aqui e dizer “Ah, mas segue a lógica de temas como “festa grega!”. Acontece que estamos no Brasil em 2016! Não digo isso porque acho que o século 21 é o suprassumo da evolução humana. Tenho meus pés atrás quanto a isso, sobretudo quando falamos de racismo,  mas por que se limitar aos estereótipos? Não estamos falando de um país, o que por si só já seria problemático, mas de um continente inteiro! Ao invés de tornar a festa uma oportunidade de celebrar outras visões do território, até pela Vogue ser uma revista de moda super consolidada, acabou-se caindo em estigmas comuns.

Por isso é sim revoltante assistir preconceitos sendo reforçados num veículo tão poderoso da mídia. Mas como eu disse, desconstruí-los não era o interesse por ali. Houve nada mais, nada menos do que o reflexo do racismo velado nosso de cada dia.

+sobre o tal baile:

Para homenagear a África, baile da Vogue 2016 escolheu o racismo | Brasil Post

POP AFRICA? | Um Ano Sem Zara

Sobre Kylie Jenner e Amandla Stenberg:

“Como a América seria se amássemos os negros tanto como amamos a cultura negra?” Esse é o pensamento final que a Amandla Stenberg deixa no seu vídeo “Don’t cash crop my cornrows”, em que debate apropriação cultural. Assista-o legendado a seguir!

Conhecida por participar do filme “Jogos Vorazes” como a Rue, Amandla é hoje também vista como uma voz muito forte quando se pensa em jovens mulheres negras. Atualmente ela é a capa do mês Teen Vogue nos Estados Unidos e junto com outras personalidades fez uma série de vídeos (aqui) sobre o que é ser mulher e negra.

instagram amandla e kylie

Na época da polêmica com a Kylie Jenner, tentou-se deslegitimar o comentário da Amandla (aquele do começo do post) seguindo a lógica da “garota negra barraqueira”, que perde a razão por supostamente falar com os nervos à flor da pele. Acontece que ela não estava ali reivindicando “direitos autorais” sobre as tranças, até pelo motivo de elas serem visualizadas em inúmeras culturas ao redor do mundo e através do tempo. Ela estava reivindicando uma reflexão por parte da Kylie.

A resposta da Jenner foi apenas um “Ruim se eu fizer, ruim se eu não fizer… Vai passear com Jaden (Smith) ou algo do tipo.”

Por mais que ela não tenha se atentado aos significados num simples penteado antes de o escolher, a posição mais coerente ali, até pelos milhares de comentários que surgiram, seria enxergar que a discussão não era mais sobre ela, uma menina com o cabelo trançado.

[Alerta de ironia] Mas vai ver que para quem é transformado em ícone de estilo utilizando um penteado característico de uma comunidade inferiorizada quando faz uso dele, seja difícil separar identidade de tendência, história de lucro, né verdade?

Tudo errado!

Uma cultura não merece nem deve ser minimizada a uma tendência de consumo. A partir do momento que ela se torna um produto todos os sentimentos de pertencimento e identidade são massacrados. Qualquer forma de apreciação dela, portanto, torna-se vazia, e precisamos nos atentar a isso caso não desejarmos ser superficiais.

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Ilustração de Stephanie Mah.

O erro mora em não correr atrás de entender os símbolos culturais. Mora em não problematizar o fato de uma indústria se beneficiar impropriamente de culturas oprimidas sem dar os devidos créditos. Mora ainda em não aceitar a crítica dos verdadeiros representantes delas.

Não existe o direito de se apropriar de outras tradições, pois nem a história da “liberdade de expressão” adianta. Ela é automaticamente invalidada por essa ousadia, pois já que se defende a liberdade é esperado que seja de todos, e não é isso o que ocorre. A voz de um povo e seus costumes é silenciada com a opressão vinda do atrevimento em acharmos, numa posição privilegiada, que tudo podemos. Mas como minha mãe diz: “Você pode tudo, inclusive arcar com as consequências de nossas ações.” 😉

Intercâmbio X apropriação

Ok, então eu não posso mais apreciar outras culturas? Muito pelo contrário! Quanto maior nosso interesse, melhor. Entretanto, façamos isso de forma responsável, descendo de nossos privilégios e fugindo da ignorância.

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Há maneiras genuínas de expressar amor por outras culturas sem sermos ofensivos e são através de livros, filmes, viagens… Enfim, estudando sobre elas e acumulando experiências baseadas na troca de visões de mundo e respeito mútuo.

+Sobre apropriação cultural:

Apropriação cultural: a questão da identidade | Revista Fórum

Ser preto tá na moda? | Blogueiras negras

7 Myths about Cultural Appropriation DEBUNKED! | Decoded | MTV News

7 mitos sobre apropriação cultural | Neggata

E aí, o que você acha sobre apropriação cultural? Até onde vão os limites entre admiração e desrespeito? Deixe sua opinião no comentários! 😉

Tem algum tema que gostaria de ver aqui? Comente também! Ah, não deixe de acompanhar o blog pelas redes sociais. Obrigada por ter lido um post tão grande haha. Até mais! ❤

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4 comentários sobre “#empoderar1: Baile da Vogue 2016, Kylie Jenner, Amandla Stenberg e Apropriação Cultural.

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