0

#empoderar9: Significado dos turbantes e mais umas verdades sobre apropriação cultural!

Oi, tudo bem com você? Espero que sim!

Ontem eu assisti a uma palestra maravilhosa e transformadora sobre feminismo negro, produzida pelo Desabafo Social, o Escambo de Ideias #3. Na discussão falou-se sobre estratégias de luta contra o sexismo e o racismo. Uma das palestrantes era a Joice Berth, arquiteta e militante do movimento negro, e no meio da conversa ela estabeleceu a diferença entre fortalecimento e empoderamento. Segundo ela fortalecimento está ligado à estética, a abraçar suas raízes, como por exemplo, abandonar os alisamentos e usar os cabelos crespos e cacheados naturalmente. Já empoderamento é ter conhecimento sobre sua ancestralidade e da estrutura do sistema racista e através desse saber, construir defesas contra as opressões que lhe acometem. Se você não conferiu ontem, confira neste link aqui. Vale muito à pena!

12821356_962682803809907_4260892254130489363_n

“Nem sempre quem está fortalecido está empoderado.” Com isso em mente, hoje então é dia de entender o significado dos turbantes para a cultura afro-brasileira. Além disso, vim discutir mais uma vez apropriação cultural, porque enquanto fazia as pesquisas para esse post, lendo outros textos, muitos comentários referentes a eles eram justificativas esfarrapadas sobre utilização de materiais de outros povos e culturas. E não, não podemos viver cheios de disse-me-disse!

Leia aqui os textos no blog sobre “Transição Capilar”!

Sobre turbantes!

Os turbantes são elementos que caminham por vários povos, de norte a sul, de leste a oeste. Persas, árabes, indianos e africanos são alguns deles. Também conhecido como Ojá na África Negra, sendo utilizado em instrumentos musicais, roupas e até mesmo para as mães carregarem suas crianças, ele desempenha papéis de classificação social, religião e vestuário. 

d822120e156638e5749cc71c8979f185

Imagem: Reprodução.

Aqui no Brasil, influenciado pela cultura africana, o turbante é uma das inúmeras peças que compõem as baianas, figura típica do nosso país que remetem às mucamas na época da escravidão, mas que também participam das religiões afro-brasileiras, como o candomblé. E por falar nas religiões nascidas aqui, a umbanda e o xangô também incorporaram o turbante.

Com o crescimento do movimento negro na década de 60 nos Estados Unidos, os turbantes, assim como outros elementos da cultura africana, foram colocados como símbolo de resistência à segregação racial que o país enfrentava. Hoje, um movimento que lá clama pela mesma ideia é o Afropunk, que envolve música, transgressão e identidade. 

Conheça o movimento AfroPunk neste post do blog!

Aqui no Brasil, o movimento negro também trouxe esse ideal de identificação com o continente africano por meio da estética. No presente, a internet tem sido um grande divulgador desses elementos, tendo a aceitação do cabelo como maior ponto de partida e os turbantes como ato de afirmação identitária.

flowRoot4007-1

Alguns trajes maravilhosos do no festival de música do AfroPunk.

Entretanto, assim como aconteceu na década de 20 e 30, com estilistas como Paul Poiret e Coco Chanel, a indústria de moda atual encontrou nos turbantes uma fonte de consumo e através de sua produção em massa, os significados, sobretudo os de influência africana, estão sendo distorcidos, causando o que conhecemos como Apropriação Cultural. Continuar lendo

Anúncios
1

#celebrar6: Irmãs Quann – estilo em dose dupla!

Semana passada eu lancei aqui a ideia do “Hall da Representatividade”. Vão lá no post depois para entenderem, mas já adiantando se você ainda não viu, em tempos em que precisamos de mais diversidade na mídia, o Hall da representatividade é uma iniciativa que estimula cada um a criar sua própria lista de pessoas inspiradoras, sem deixar de lutar por mais inclusão midiática. Eu já criei o meu e com certeza as irmãs Quann estão nele!

bush-babes-gif-2

Imagem: Urban Bush Babes

Sabe aquela história de vestir gêmeas da mesma forma? As Quann evoluíram isso para o milésimo nível e por conta disso chamaram a atenção de fashionistas ao redor do mundo no último ano.

th-14-40-mi-04-p-1-001-r1-r

Imagem: Urban Bush Babes

Crescidas na cidade de Baltimore, nas décadas de 80 e 90, Takenya e Cipriana Quann são as rainhas dos penteados, mestres em combinações e talentosas até o último fio de cabelo.

Quando pequenas tinham o ritual de separar suas roupas para o colégio todas as noites ao lado da mãe e de em seguida, acompanhá-la em suas escolhas para o trabalho. Já na adolescência, elas emprestavam peças uma a outra, mas nem sempre elas voltavam da mesma forma que lhes chegavam. As duas sempre inventavam de customizar a roupa alheia, o que resultou em discussões típicas de adolescentes, mas também contribuiu bastante para a individualidade que sempre buscaram e facilmente era ignorada por serem idênticas. Continuar lendo

3

#celebrar3: 7 fashionistas para conhecer já!

Oi, tudo bem com você? Espero que sim!

promo maia vox fashionistas.png

Sabe aquela hora em que você não faz ideia do que vestir e já não aguenta mais as velhas combinações do seu guarda-roupa? Pensando nisso, trouxe hoje 7 fashionistas para conhecer já e te ajudar nesse dilema.

Todas as fotos a seguir são reproduções.

Anne Barreto: baiana, modelo e Youtuber. Diferente dos looks das passarelas, a Anne se mostra no dia-a-dia com um estilo básico, mas nem por isso sem graça. As peças lisas e as cores neutras dominam o seu guarda-roupa, mas com direito a cores gritantes de vez em quando. Tudo é sempre muito confortável. E para quem ama chapéus, tem sempre uma foto maravilhosa lá no Instagram dela (link no nome).

anne barreto colagem Continuar lendo

1

Junho, um mês de representatividade?

Não sei o que acontece, mas junho tem se mostrado um mês para mudanças. Digo isso lembrando das ruas brasileiras lotadas em 2013. Coincidência ou não, nesse ano o mês trouxe algumas novidades bastante interessantes: tivemos direito a Rihanna estrelando campanha na Dior, aniversário da revista Elle BR com a campanha #vocênacapa, Beyoncé virando estudo em faculdade e barreiras de gênero atravessadas no desfile da Prada para o verão 2016. Caso você não estivesse na Terra por esses dias, chegou a hora de saber um pouco mais sobre esses eventos e o que eles tem em comum num mundo onde falta representatividade.

BLACK GIRL POWER
00-Upload-GIF1

Se existem duas cantoras que têm servido de empoderamento para as mulheres essas são Rihanna e Beyoncé. Esta tornou-se tema de estudo na Universidade de Waterloo, Canadá. Os alunos estudarão como o trabalho da Queen B vem se transformando num fenômeno social, tanto na visão feminista quanto na racial. Já aquela estrelou uma campanha na Dior e tornou-se a primeira embaixadora negra em quase 70 anos de história da grife. Numa entrevista à MTV, Riri contou como se sentiu lisonjeada, pois segundo ela, a marca francesa é sinônimo de beleza, elegância e atemporalidade.

Niki-Takesh-my-flash-trash-interview-jewellery-music-rihanna-money-gif

UM NOVO OLHAR NA MODA

Uma das razões que me motivaram a escrever esse post foi a publicação da edição de aniversário de 27 anos da Elle Brasil no mês passado. Gosto muito de pesquisar como anda a representatividade por aí, mas tenho certo receio em comentar aqui. Porém, quando eu olhei a capa espelhada da revista tive certeza que mudanças estão ocorrendo e que o debate deve ocorrer.

SAM_1900.1

Foto: Mari Gomes

Para minha surpresa, a essência da hashtag #vocênacapa, criada pela magazine para apostar na diversidade, não só apareceu em maio, como também permaneceu agora em junho. Dessa vez vieram três capas com belezas diferentes juntinhas. Essa parece ser felizmente a tendência para os próximos editoriais e matérias.

capas elle 2015 junho blog maia vox representatividade

Foto: Mari Gomes

Outra ação que chegou para abalar os conceitos no mundo da moda foi o último desfile da Prada, em Milão. Na ideia de transpor os limites de gênero e mostrar como eles se relacionam, a empresa de alta costura colocou na passarela do desfile masculino algumas mulheres. Assim, de certa forma, portas para nos perguntarmos até que ponto é válida essa distinção foram aberta.

Campanha Prada Pre-Fall 2015 (Foto: Divulgação)

Foto: Reprodução

Adendo: Enquanto terminava esse post os Estados Unidos aprovaram o casamento homossexual por todo o território. Prova de que o respeito precisa e pode prevalecer.

Potus

Pouco a pouco os mercados estão acordando e enxergando que diversidade é lucrativo. Apesar dos tantos discursos fechados e preconceituosos que vemos por aí, esses eventos nos mostram que aqueles que gritam por representatividade começaram a serem ouvidos. Mas ei, cuidado! Junho pode ter sido surpreendente, porém há muito ainda a se fazer.

Espero que tenham gostado. E qual a sua opinião sobre tudo isso? O que ainda pode ser feito? Respondam nos comentários! Até mais! 😉

Acompanhe o blog também pelas redes sociais!

FACEBOOK • TWITTER YOUTUBE • PINTEREST • FASHIOLISTA

quem sou mari gomes autor

3

Afro in punk: trangressão, música e identidade.

De vez em quando nos surpreendemos. Por exemplo, eu nunca pensei que box braids (tranças rastafáris – saiba mais aqui) teriam alguma ligação com a música punk. Mas para quase tudo nessa vida se aplica a história “surgiu antes de você”. Foi então que descobri o movimento AFROPUNK. Este estilo alternativo explica o porquê daquele meu exemplo e de tantas outra ligações inimagináveis existirem. Além do mais, por ter sido uma das revelações de 2014, ele merece estar hoje por aqui. Assim vai dar para vocês entenderem como tanta coisa se completa na onda que promete bastante também em 2015.

AFROPUNK CAPA

Quando o jeito transgressor de ser recebeu uma boa carga de inspiração étnica com a chegada de negros ao cenário punk, surgiu o afropunk. Provavelmente nascido no Brooklyn, ano passado o tal estilo foi 1) referência nas coleções de grifes como Balmain e Kenzo 2) tema de um editorial cheio de penteados fantásticos na Vogue US e 3) comprovado pelas cantoras FKA Twigs e Azealia Banks que essa tribo está em alta e não veio pra brincadeira.

colagem afro punk origem maia vox

Mas é como eu contei, tem sempre uma explicação para os fatos que acontecem hoje e o afropunk não cresceu repentinamente. Desde 2002, por exemplo, acontece em NY o Afro Punk Music Festival, onde pessoas se reúnem pra ouvir o que há de novo na black music, como também esbanjar suas produções fashionistas e gente, nunca vi algo do tipo. Praticamente vomitei arco-íris!

flowRoot4007-1

Cada look naquele festival é um suspiro. E daqueles fortes pra ver se toda aquela exuberância se incorpora ao nosso ser. Seguindo a linha do “mais é mais”, é difícil não ficar de boca aberta com a extravagância tão bem entrelaçada entre correntes, creppers, listras pretas e brancas, maxióculos redondos, piercings… (respira)… moicanos, mechas coloridas, cocós, box braids, mais outros trocentos protective styles ( entenda o que são aqui) e, é claro, coturnos e estampas étnicas. E isso nem é tudo, pois como a Luiza Brasil escreveu em “AFROPUNK: CONHEÇA A TRIBO-HIT”, no blog Modices, essas só são as peças que mais se repetem nos looks.

flowRoot3060

Se ainda não convenci vocês, olhem só esse vídeo. É muita energia pra um festival só! 

E para entrarem no ritmo de uma vez por todas, fiz uma playlist com artistas que já tocaram no Afro Punk Festival e outros que são representantes da nova geração.

Além desse envolvimento todo com a música, para entender o afropunk recomendo a vocês a assistirem o filme de mesmo nome, lançado em 2003. Ele é focado no estilo de vida de quatro pessoas totalmente entregues a esse universo e nos dá uma visão de como evoluiu todo o movimento. Vejam-no abaixo ou no canal do youtube do festival.

Muita coisa pra ler, escutar e assistir, né verdade? Haha. Fiquei empolgada com todo esse movimento, porque me identifiquei com ele e não foi pouco. As minhas roupas já andavam por esse universo sem eu saber. Mesmo sem ter vivenciado algo como aquele festival, senti-me em casa ao ver o que é do preto sendo valorizado, assim como toda gente preta. É tão revigorante ver que se pode passar dos limites da sociedade sem esquecer de onde se vêm. Melhor ainda com boa música.

E ai, gostou? Se sim, curta a postagem e qualquer dúvida ou opinião deixe nos comentários! Super beijos e até mais! 😉

Acompanhe o blog também pelas redes sociais!

FACEBOOK • TWITTER YOUTUBE • PINTEREST • FASHIOLISTA

quem sou mari gomes autor

3

6 mulheres que revolucionaram o mundo da moda!

Reprodução:  www. UN. org

Reprodução: www. UN. org

8 de março: dia internacional da mulher.  O porquê? No ano de 1857 cerca de 130 trabalhadoras de uma fábrica de tecidos em Nova York foram assassinadas.  O motivo foi o “atrevimento” das moças ao requererem redução da carga horária, equiparação dos salários com o dos homens e melhores condições de trabalho. Em sua homenagem, 118 anos após o fato, em 1975, a data começou a fazer parte do calendário oficial da ONU.

Não se engane achando que essa é uma festividade simplesmente, onde se recebem flores e chocolates de algum homem próximo. Mais importante do que isso, o oito de março serve para lembrar que ainda hoje, nós, mulheres, temos que lidar com salários inferiores, objetificação, modelos de beleza impossíveis, trabalho dentro e fora de casa, além violação dos nossos corpos, nos quatro cantos do planeta.

E porque falar sobre mulheres que fizeram alguma diferença na história? Fácil: para que cada uma possa se espelhar nelas sabendo que são capazes de fazer e serem o que quiserem, ainda que muitos afirmem o contrário.

Hoje vou falar de algumas que se destacaram pela moda. Alguns de vocês podem pensar que isso é um pouco contraditório já que se conhece os abusos da indústria da moda. Porém, mais que simples cabides de roupas, as mulheres no universo da moda representaram e ainda representam outras – e grandiosas- coisas. Vejam só!

Ann Lowe:

Reprodução: BlackBride.com

Reprodução: BlackBride.com

Nasceu no final do século 19 no estado do Alabama, na pequena e rural cidade de Clayton e fez sucesso nas décadas de 50 e 60 do século seguinte. Neta de ex-escravos, Ann passou a infância rodeada pelo mundo da costura, já que sua avó e mãe eram costureiras. Quando aos 16 anos sua mãe moreu, Ann teve que tomar frente dos negócios da família, mas com parte de seu talento já desenvolvido tornou-se a costureira mais procurada em Clayton. Em Tampa, na Florida, conheceu Josephine Lee, socialite do local que incentivou Ann a estudar em Nova York a fim de que ela pudesse ter mais conhecimento sobre sua arte. Foi, mesmo com o marido não aprovando. Na metade do curso, que deveria durar um ano, Lowe já estava formada, tendo frequentado as aulas separadas do resto de sua turma por ser negra. Daí em diante, o sucesso de suas produções únicas só aumentou. Sua mais conhecida criação foi o vestido de casamento de Jacqueline Kennedy, mulher do antigo presidente dos Estados Unidos, mas a relevância de suas obras está espalhada por museus como o Museum at the Fashion Institute of Technology, o Metropolitan Museum of Art e o Smithsonian National Museum of African American History and Culture.

Fonte:http://www.thefashionhistorian.com/2014/02/ann-lowes-early-career.html

Coco Chanel:

Reprodução: Ellus.com

Reprodução: Ellus.com

Quem nunca ouviu falar do corte de cabelo Chanel? Sucesso na década de 20, pós 1° guerra mundial, o maior objetivo desse estilo totalmente inspirado na estilista francesa era de ao mesmo tempo em que oferecia praticidade na higienização, as mulheres expressavam o ideal de autonomia que buscavam na época, já que haviam ocupado postos de autoridade nunca antes conquistados durante as batalhas. Coco Chanel descobriu seu talento para a costura quando além de cantar, fazia reparos em roupas para se sustentar no interior da França. A sua grande contribuição pode ser resumida que em busca de mais conforto ela se opôs aos longos, pesados e apertados vestidos, substituindo-os por comprimentos menores e marcações mais baixas, além de introduzir as calças no armário feminino. E foi assim que até 1971 ganhou a vida, apesar de ter vários amores durante sua trajetória como bem mostra o filme “Coco Antes de Chanel”.

Fontes:

http://mulheres-incriveis.blogspot.com.br/2012/04/coco-chanel.html

http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u641760.shtml

Elsa Schiaparelli:

Reprodução: wepick.com.br

Reprodução: wepick.com.br

A italiana Schiap provocou o mundo inteiro com seu rosa-choque. Sim, foi ela a inventora de umas das cores mais chamativas que existem. Foi Elsa também que incorporou de uma vez por todas as artes plásticas nas roupas. Enquanto Chanel criava modelos práticos para o dia a dia, Schiaparelli mixava em suas peças influências como Salvador Dalí e Marcel Duchamp, grandes nomes da arte surrealista, ambos seus amigos. Com o primeiro, em especial, designou o tailleur de onde saíam gavetas e o vestido lagosta. Foi assim, representando os sonhos por meio de tecidos que de certa forma ela fazia com que as mulheres se destacassem em todos os ambientes que circulassem.

Fontes:

http://almanaque.folha.uol.com.br/schiaparelli_historia.htm

Vogue Brasil n° 405 (Maio, 2012), pg. 67, “Vida Chocante”, ASTUTO, Bruno.

Lupita Nyong’o:

Mas o que uma atriz faz no meio de tantas estilistas? Calma que eu explico. A méxico-queniana que despontou no ano passado como uma das revelações de Hollywood, tendo ganhado o Oscar de “melhor atriz coadjuvante” por sua representação em “12 Years a Slave” (Doze Anos de Escravidão), logo tornou-se matéria em grandes revistas de moda. Isso fez com que váááárias meninas negras ao redor do mundo (inclusive a que vos fala) aumentassem a sua autoestima ao verem uma mulher negra fazendo tanto sucesso como ela estava a fazer. Para vocês terem dimensão do caso, num discurso para o “Essence Black Women in Hollywood”, promovido pela revista estadunidense “Essence”, ela leu um pedaço de uma carta que havia recebido de uma jovem menina. Essa adolescente relatava que por conta do destaque de Lupita na mídia internacional ela não se via mais pressionada a tentar clarear sua pele com produtos clareadores (sim, isso existe e é um absurdo.). Já que padrões de beleza estão tão atrelados à moda, nada mais justo do que trazer aqui uma mulher que lembrou a todos que o bonito se apresenta de inúmeras formas pelo mundo a fora.

Fontes:

http://blogueirasnegras.org/2014/04/03/gratidao-lupita-nyongo/

https://www.youtube.com/watch?v=ChpriB5ktGg

Pat McGrath:

Reprodução: rmkvisions.blogspot.com

Reprodução: rmkvisions.blogspot.com

Em 2012 fiz um post em que apresentei a Pat a vocês (leia aqui). Naquela época, ela recebeu o título de maior maquiadora do mundo. Isso veio graças a suas maquiagens surpreendentes, com produção completamente artística. Por isso ela é referência internacional para inúmeros maquiadores, com o Sadi Consati, que vibrou ao conhecer a britânica. O interessante é que apesar das extravagâncias ao pintar os outros, ela sempre aparece com uma maquiagem simplíssima, e quando digo simples, falo em neutra. Neutralidade, aliás, é sua marca registrada, pois suas roupas também são assim, geralmente pretas. Hoje me senti na obrigação de relembrá-la nesse post porque conhecendo o trabalho da Pat durante esses quase três anos entendi realmente o motivo de ela ser tão vangloriada no universo da moda. Não á a toa que Prada, Miu Miu, Dior, Dolce & Gabbana, Lanvin, Valentino, Louis Vuitton, Viktor & Rolf, Stella McCartney, Jonh Galliano… continuam a solicitar o trabalho dela.

Fonte: http://www.vogue.co.uk/person/pat-mcgrath

Zuzu Angel:

Brasileiríssima. Penso que esse seja o melhor adjetivo para a estilista mineira que buscou representar em suas peças a identidade nacional no cenário internacional. “Sua roupa, como poesia pra se vestir, tinha características baseadas no tropicalismo brasileiro com estampas de chita, vestidos inspirados em Maria Bonita e Lampião, estampas de anjinhos sobrevoando as nuvens, xadrezes com padrões singelos de cores e formas, pássaros e florais com releituras naif.” Assim sua obra é descrita no perfil de quem ela foi, disponível no Instituto Zuzu Angel, criado por sua filha Hildegard após a morte da mãe. Seu falecimento nos leva a outra questão. Stuart Angel, seu primeiro filho, foi assassinado durante a ditadura militar. Com suas aparições na mídia, graças a seus desfiles, ela denunciava o assassinato internacionalmente. Assim arrastou nomes como Joan Crawford, Kim Novak, Veruska, Liza Minelli, Jean Shrimpton, Margot Fonteyn e Ted Kennedy para apoiarem a sua luta. Porém, ela foi, também, assassinada num acidente de carro, ainda não muito esclarecido, no ano de 1976. É também pela busca para saber o paradeiro de seu filho, que essa mulher não pode ser esquecida.

Então é isso. Espero que a história de cada uma dessas mulheres possam ter despertado o porque de hoje, 8 de março, ser tão importante. Até mais! 😉

Acompanhe o blog também pelas redes sociais!

FACEBOOK • TWITTER YOUTUBE • PINTEREST • FASHIOLISTA

quem sou mari gomes autor

0

Férias de verão, shorts e feminismo.

anigif verão maia vox

Estação mais quente do ano. Hora de nos refrescar sim ou claro? Uma ida à praia ali, uma roupa mais leve e curta acolá. Mas pera aí! Apenas corpos perfeitos (barriga sequinha, bunda e pernas durinhas) podem se dar a esse luxo! Mesmo?

Eu nunca fui magra. Minha mãe sempre diz que quando bebê as minhas pernas eram realmente gordas – e davam vontade de apertar. Pequena, eu também gostava de fazer apresentações de dança na sala de estar ou até mesmo na frente da casa dos meus avôs. Minha tendência a engordar nunca foi problema na minha infância, rodeada de primos, afinal todos nós tínhamos algo em comum e estávamos muito mais preocupados em brincar do que qualquer outra coisa.

No entanto, fiquei mais velha e comecei a passar mais tempo com meus amigos. São todos muito legais e aprecio bastante o tempo que passamos juntos, mas quando eles davam uma surtada por gordurinhas aparecendo, sendo que a maioria deles é magra, da barriga reta, eu me sentia numa situação muito pior. Daí, a cadeira na beira da piscina era o meu lugar e eu não ousava nem mesmo expor meu corpo fora da blusa e dos shorts. Mas isso podia mudar! Se eu emagrecesse, continuasse a alisar meu cabelo e de alguma forma mirabolante minha pele clareasse T-U-D-O melhoraria! Pelo menos as propagandas repetiam a mim.

Por essas e outras, eu passei de uma criança faladeira e amostrada (*1) para uma adolescente com fala baixa e embolada. Para perceber que a causa disso vinha de fora da minha casa, demorei algum tempo. Na família muitos falavam que eu era uma menina bonita, mas isso era nada demais para mim, vindo deles. O que eu esperava era a aprovação dos de fora e, como não recebia, achava que quem estava ao meu lado dizia aquilo da boca pra fora.

Foi assim até o momento em que olhei firmemente para a minha imagem no espelho. Naquela hora pude finalmente enxergar a beleza de que tanto os que me amam diziam. Passei então a acreditar: Sim, eu sou muito bonita.  Falo isso hoje sem tanto medo de gritarem que é um jeito de me gabar. Sabe o porquê? Das inúmeras vezes na frente do nosso reflexo, são poucas aquelas em que prestamos atenção a ele. Isso, por estarmos extremamente presos às imagens do ser humano perfeito, que circulam por todo canto. Assim esquecemos de quem somos e nunca conseguimos ser felizes conosco.

Quando esse olhar distorcido muda em nossa vida, nos cuidamos primeiro pensando em nossos gostos, pra depois analisar se está na moda ou não (e se não estiver “em alta”, admiramos o que se mostra mesmo assim). Também andamos pela rua notando que cada um tem uma beleza e, por isso, viver se comparando é frustração na certa. Até que ao surgir alguém sentindo-se mal por sua imagem em nosso caminho , a língua coça pra compartilhar o que já descobrimos, torcendo pra que acreditando em si mesma, essa pessoa saiba que – aí sim! -, tudo vai melhorar.

Tirar as baboseiras da mulher perfeita de minha cabeça não foi nada fácil. Na verdade, tenha a certeza de que algumas ainda rondam meus pensamentos. Por exemplo, nessas férias de verão,  como numa montanha russa, de tranquila com a vida fiquei bastante borocoxô. Perdi alguns dias de sol, água e areia. Só depois de muito pensar, vi que  precisava relembrar o que já havia aprendido e quem dessa vez me ajudou foi o feminismo.

montagem girl power maia vox

Queen B no VMA 2014. “Feminist: the person who believes in the social, political and economic equality of the sexes. – Chimamanda N. Adichie” (*3)

Assim que me deparei com o nome “feminismo”, dois caminhos se apresentaram: um dizendo que o movimento aplica o machismo ao reverso e que por isso seus participantes devem ser chamados de feminazis e outro, em que o que se busca é nada mais nada menos do que a mesma liberdade e o mesmo respeito entre homens e mulheres. Fui atrás de leituras, conversei com gente de diferentes pensamentos, dos bem resolvidos aos em cima do muro e agora, pelo segundo caminho me apresentado, confirmei de uma vez por todas que o fato de eu ser mulher, preta e não ter corpo de modelo não diz nada sobre o quão longe eu posso chegar.

Tão importante quanto, aprendi que não adianta eu aplicar todos os lindos conceitos a mim e sair por aí criticando quem quer que seja por usar saia curta, vestir burca, ser magra, ser modelo, ter a sexualidade que for… por aí vai. Sabe, se você deseja respeito, dê isso aos outros, mas não significa que quando alguém lhe falar que um vestido curto tira isso de você, você tenha de engolir o cuspir de regras. Talvez seja complicado de compreender no início, mas, com um dia após o outro, entendemos a dosar melhor os lados.

E assim, deixei o que me colocava para baixo de lado e já não mais pretendo perder um dia sequer de praia. Também não sou mais de xingar os shorts curtos como antes. Alías, pelo o que depende de mim, esse tornou-se meu mais novo apetrecho em dias ensolarados. Agora, espero que seja assim também pra você aí: dias com mais sorrisos no rosto. Aproveita que 2015 ta aí para isso!

Beijos e até mais!

—————————–

*1 – Aqui onde eu moro, amostrada é a pessoa que gosta de se exibir.

*2 – Gif feito com essas imagens (1,2,3,4,5) por Mari Gomes.

*3 – Montagem com essas imagens (1,2) por Mari Gomes.

—————————–

Aviso: um novo visual será estreado no blog a partir do dia 15 de janeiro. Fiquem ligados!

Acompanhe o blog também pelas redes sociais!

FACEBOOK • TWITTER YOUTUBE • PINTEREST • FASHIOLISTA