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Transição capilar: As frases mais absurdas que ouvimos nesse período!

Hey pessoal! Hoje, 26 de junho de 2014, eu completo 7 meses de transição capilar! Antes de mais nada eu quero dizer que escrever essa série de posts (confira inteira aqui) está sendo incrível e ver que vocês estão gostando de verdade é muito motivador. E para comemorar essa data, que eu há tanto espero para tomar decisões importantes na transição, reuni as frases mais absurdas e chatas que quem está nesse período escuta. Vamos lá!

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Imagem: Mari Gomes

  • “Nossa, o que aconteceu com você? Antes você se cuidava mais.”: Uma das coisas mais complicadas da transição é aprender a lidar com duas texturas de cabelo totalmente diferentes, cada um com suas necessidades. Então é teste de hidratação pra cá, de texturização pra lá… E nem sempre o resultado sai como imaginamos, os chamados bad hair days. Aí, você cria coragem, sai na rua tranquilx e vem alguém para falar isso. Haja santa paciência! Sem contar os dias em que você ama o resultado e chega um infeliz com isso. Nessas horas não existe calma para tanta ignorância…  ¬_¬
  • “Aproveita. Cabelo cacheado tá na moda, né?”: Não, meu bem, não está. Isso sou quem eu sou. Minha identidade. O fato de eu usar ele assim passa da pura estética. É um ato político. Estou dizendo não ao padrão caucasiano, o qual não me pertence. Estou dizendo que não vou  me submeter a ações, que muitas vezes machucam meu corpo, para tentar me encaixar num modelo impossível de beleza. Estou dizendo não às falsas “homenagens” de grifes nas passarelas, que no fim só ridicularizam meu cabelo, quem eu sou. E estou feliz, se quer saber. Passar bem.
  • “Mas se você fizer babyliss ficaria mais bonito.”: Isso vem no meio daquele papo furado, quando um ser chega e começa a dizer que existem cachos mais bonitos que outros. “Não, porque o de fulana da novela é lindo, mas o daquela menina que a gente viu na rua, era muito mal cuidado. Aqueles cachos minúsculos…” E geralmente é assim: quanto menor, mais feio. O que fazer numa situação dessas? Respirar fundo e soltar uma resposta que faça que esse sem-noção se tocar que bonito é o que cada um tem naturalmente e se sente bem quando se reconhece.
  • “Tá linda! Parece a globeleza!”: Já ouvi isso, da mesma pessoa, mais de uma vez e foi bem complicado. Só fechei a cara na ocasião. Me arrependi. Queria ter explicado o quão infeliz foi esse comentário. Mas aqui faço a minha retratação. Vamos lá. Para muitos recebi um elogio. Afinal, qual a mulher não gostaria de ser comparada com uma “musa do carnaval”? O problema é todo o perfil sexualizado da mulher negra que está por trás dessa frase, que parece ser tão inofensiva. Porque quando aparece na mídia, ela (a mulher negra) só preenche dois papeis: ou de empregada na casa de gente rica e branca ou no ideal de “mulata tipo exportação”. E a globeleza se encaixa perfeitamente no segundo caso. Ser comparada a essa personagem na verdade me forçou a ser colocada num desses dois lugares que citei. Mas eu sou muito mais que isso. Eu posso muito mais que isso. Eu sonho com muito mais do que isso.  Inclusive com o dia em que eu for vista além desses dois ambiente, que me empurram goela abaixo há séculos.

Tem alguns textos muito bons que vocês podem ler para ficar mais por dentro do que acabei de comentar lá no Blogueiras Negras. 😉

Deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata!
O padrão de beleza negra ideal
Sobre alisamento capilar, racismo e liberdade
  • “Vai mesmo sair com esse cabelo pra cima?” Vou sim! Nunca me senti tão livre, leve e feliz como agora! Não vou deixar de correr pelas ruas alegre como eu estou por conta de gente que não consegue ver que cada um tem sua beleza e ela faz parte da identidade de cada indivíduo. Beijos, fui! 😉
  • “Olha, cabelo cacheado/crespo não é para festa.” Essa é uma frase que muitas vezes vem de alguém próximo à nós, como familiares e amigos. “Eu até aceito andar com você com seu black, mas não me invente de ir na formatura de fulano assim!” É claro que vindo dessas pessoas, que confiamos, sempre deixa um clima de insegurança no ar. Mas sabe de uma? Você é lindx de qualquer jeito! Se não tiver muito à vontade para sair com todo o seu volume, vale a pena fazer um penteado bem legal. Afinal, todo cabelo é passível de penteados! Não deixem que te joguem na neura que vai estar feio para os outros. Antes de tudo você tem que sentir-se belo, para você mesmo, e acreditar que é! Quando isso acontece, a segurança raramente desaparece. 😉

E esses foram algum dos absurdos que eu já ouvi e sei que muita gente também quando resolveu soltar suas molinhas. Mas não se encabule não, galera! Nem a opinião dos outros, nem se encaixar num padrão são precisos pra ser feliz. 😉 Ah, para o próximo post da série, estou pensando em falar de cronograma capilar, o que acham? E não deixem de contar se passaram por um aperto desses, ok?! Um beijo e força na peruca kkk. 😉

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Transição capilar: 6 meses e identidade que se revela!

Hey, pessoal! Hoje eu vim aqui continuar com a série de postagens “Transição Capilar” (confira aqui os outros posts! 😉 ). Desde a última conversa com vocês muita coisa aconteceu e agora é momento de contar.

6 meses de transição maia vox

Bem, como o título já indica, minha transição completou seis meses! Num piscar de olhos já é meio de 2014 e nesse tempo pude acumular muita coisa boa com esse processo de transição. Mas algo precisa ser dito: Não foi fácil chegar aqui. Não é. Eu, pelo menos, não sofri nenhuma recaída com alisantes dessa vez, nem mesmo toquei na chapinha, mas isso não diz o quão complicado é enfrentar esse período de luta constante com a sociedade e, principalmente, de forte guerra interna.

Acho que entre o quarto e o quinto mês tive a época mais estressante da minha transição. Aquela euforia do início tinha se acalmado e outras situações surgiram. A dessa hora em especial era uma mistura de preguiça e desmotivação. Eu não queria mais saber de texturizar o cabelo com coquinhos todas às noites e a ansiedade de fazer o Big Chop (Grande Corte) latejava na mente. Mas dia vai, dia vem, notei que eu estava perdendo o controle sobre o motivo de ter começado a transição. Parei, pensei e vi que ainda não estava preparada o suficiente para o Big Chop e que importância da transição mora em aprender aos poucos a lidar com o cabelo natural, inclusive a amá-lo do jeito é, sem falsas expectativas. Porém, mesmo tendo recuperado toda essa significação do processo, ainda sim queria cortar o cabelo. Então, numa tarde de fim de semana, uma tesoura e um tiquinho de coragem, o fiz. Foram somente três dedos de cabelo, mas que ao mesmo tempo em que me livraram das pontas duplas me trouxeram um gostinho da liberdade de abandonar a química. Pronto, estava revigorada.

Outra coisa que ocorreu de lá para cá foi eu ter crescido demais em relação a minha identidade de mulher negra. Diante de fatos como a morte da Cláudia, a eleição da Lupita Nyong’o como a mulher mais bela do mundo pela revista People, a polêmica hashtag #somostodosmacacos e o 13 de Abril, eu entendi melhor quem eu sou, minhas lutas na sociedade e venho passando por um intenso processo de desconstrução e construção das ideias.

Além das discussões aqui dentro da minha casa sobre isso, algumas andanças na internet me fizeram e fazem enxergar melhor o preconceito velado no dia-a-dia e conhecer personalidades que me servem de inspiração para alcançar o que sonho apesar das adversidades.

Cacheadas in Love, Blogueiras Negras, Meninas Black Power, Indiretas Crespas, Pollyana Colona, Negahamburguer, Bredha Lima, Chimamanda Adichie, Janelle Monaé e Karol Conká. São apenas alguns nomes de comunidades na rede  e de mulheres negras que com seu trabalho me ajudam e ajudam a outras meninas e meninos negros a se enxergarem como tal e ter orgulho de quem somos no meio de um sistema que tenta embranquecer-nos a todo custo.

Como efeito disso tudo, não posso negar que minhas ações mudem e a partir disso aviso a vocês que com certeza o blog terá sua carga de influência desse meu crescimento. Vocês vão perceber.

Então é isso, galera! Quem aí também tá em transição? Espero muito ter ajudado! Um super abraço! 😉

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Transição capilar: como começou?

Oooi galera! Vim hoje aqui para falar de uma das decisões que tomei do fim ano passado para cá e que por sinal vem me fazendo muito bem: a transição capilar. É por isso que eu vim compartilhar com vocês a minha história até o momento nesse processo. Já são um pouco mais de três meses e eu já tenho muita coisa para compartilhar com vocês. Então, confiram o post a seguir! 😉

lalala

Primeiro mês de transição!

Bem, para quem não sabe, a transição capilar é o período em que o cabelo fica com duas texturas diferentes, a natural e a lisada, por que a gente decide parar com os alisamentos químicos, por exemplo. No meu caso, como os de outras muuuuitas pessoas, eu alisava meu cabelo desde muito nova. A praticidade era a maior desculpa. Quanto mais eu crescia, mais  eu me rejeitava e uma das coisas que me fazia me sentir tão mal assim em relação à aparência era o cabelo. Via as outras meninas com cabelo liso e o meu, mesmo alisado, que nunca ficava da mesma forma.

Com 12 anos tive que fazer um dos piores cortes químicos que passei, ou seja, por conta de um alisamento mal feito meu cabelo ficou estragado e precisei cortar. Meu cabelo ficou mais ou menos na altura da orelha. Não me assustou muito, já que eu nunca conseguia ficar com ele grande porque sempre quebrava antes, mas aquilo me afastou do meu sonho de ter um cabelo liso e grande.

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Segundo mês de transição.

Essa também não é a primeira vez que tento a transição capilar. Lembro que com treze anos tive minha primeira iniciativa, mas na época não existia tanta gente compartilhando sua jornada como hoje, melhor: eu nem sabia que nome dar para isso e além disso, por ser muito nova, não aguentei ouvir uma das minhas tias falar o tempo todo que o melhor era alisar. Por fim fiz o que ela repetia e continuei insatisfeita. Foi aí que as coisas começaram a piorar. Eu tardava o máximo possível cada aplicação do produto, guanidina na época, porque meu caro cabeludo ardia muuuito e meu cabelo era bastante resistente à química, portanto a aplicação demorava demais.

Foi assim até os quinze, quando chorei muuuito da última vez que usei a tal da guanidina. Minha mãe e eu resolvemos procurar outra alternativa. Achamos a escova marroquina. Usei umas quatro vezes e até que meu cabelo deu uma melhorada e começou a crescer, só que descobrimos que na fórmula havia formol e isso é uma coisa que a gente sempre fugiu, por conta do efeito acumulativo que ele tem sobre nós, o que pode causar doenças sérias num futuro próximo. Daí eu teria que mudar para outro alisamento, mas não sabíamos de nada novo que eu pudesse usar. Junto a isso, eu já estava cansada da rotina de chapinha, o constrangimento nos dias de piscina, do cabelo fraco e, principalmente, por não me gostar com aquele cabelo. Foi aí que eu dei um basta e comecei. Dia 26 de novembro. O último alisamento. Já estou indo para o quarto mês e venho aprendendo bastante coisas.

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Terceiro mês de transição.

Uma delas, assistindo e lendo muuuuita coisa pela internet, foi o cronograma capilar. Agora eu venho cuidando mais do meu cabelo por conseguir enxergar o que ele precisa. E nem gasto muito! Existem bons produtos com preços bastante acessíveis. (Depois faço um post contando quais são os que estou testando.) Além disso faço todo santo dia texturização com coquinhos – também chamado de bantu knot pelas meninas estadunidenses. Sei que quando eu era pequena usava que só. Era até moda kkkkk. O efeito deles é maravilhoso para lidar com as texturas de cabelo diferentes.

Mas sabe o que eu venho aprendendo de mais importante? É a dar importância a mim e a minha opinião muito mais do que os comentários descabidos das pessoas. Tem gente que me olha com cara feia por ser diferente, mas isso é uma coisa que eu sempre tive que lidar e mais do que nunca estou aproveitando esse momento da transição para me conhecer melhor e me tornar  mais feliz e forte. É bom acordar, se olhar no espelho e gostar do que vê. Não sentir medo de sair como quiser. E olha, mais do que comentários negativos venho recebendo muitos elogios e apoio dos amigos e familiares mais próximos.

transição capilar tres meses

Bem, meus planos por agora são aprender mais cuidados com o cabelo, entender como o meu se comporta e partir para o big chop – que significa grande corte, ou seja, quando retiramos tooooda a química restante – no meio do ano. Ia esperar até novembro, mas os poucos cachinhos que vejo me animaram e eu acabei adiantando a decisão. E para vocês meninas e meninos que estão na transição: força, foco e fé. Sério, lembre disso todos os dias, o porquê de vocês estarem fazendo isso. Felicidade nunca é demais!

Então é isso! Espero que tenham curtido e se tiverem qualquer dica, dúvida ou quiserem compartilhar a história de vocês fiquem suuuuper à vontade. Vou adorar saber!!! Ah, podem se preparar que ainda vem muito papo sobre a minha transição capilar por aqui. Beijos! 😉