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Encontros e africanidades!

Oi, tudo bem com você? Eu espero que sim! 😉

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Aconteceu nos dias 1 e 2 de novembro, em Salvador o primeiro projeto “Encontros e Africanidades”. A iniciativa foi criada pelo coletivo Desabafo Social em parceria com a relações públicas Ítala Herta para apoiar os projetos futuros do grupo baiano.

Fortalecendo o evento estavam o Dream Team do Passinho, as cantoras Juliana Ribeiro – também historiadora, McSoffia e Tássia Reis, a poeta Mel Duarte, a pesquisadora de tendências Luma Nascimento e a cientista social em formação e youtuber Nátaly Neri. Pude conferir no segundo dia o #NaRoda sobre Mulheres Artvistas, ou seja, que são ativistas pela arte, e divido com vocês um pouco do que aconteceu por lá! Continuar lendo

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A vez que cruzei o oceano.

A vez que eu cruzei o oceano eu quase não acreditei. Lembrei, logo após de receber a notícia da viagem, de quando mais nova meu pai me contava ao irmos à praia. “Se formos direto com o horizonte chegaremos na África”. “Como assim?”, eu  me perguntava. Como atravessar o mar e voltar para…casa?

🎵…And I say to myself what a wonderful world… #southafrica #safari

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Parti para os preparativos. Que roupa usar? Será que vai nevar? E o céu, como é? As pessoas, como são? Qual a verdadeira história? Segundo a meteorologia da internet, abril é um mês bastante frio na África do Sul. Torci para ver neve, mas não vi. Sei que nas pessoas que vi me percebi, muito mais do que eu esperava ou já experimentara. Só de eu ir lá para uma competição científica já quebrava toda a narrativa de privações daquela terra -obrigada, Chimamanda, por me abrir os olhos.

A vez que eu cruzei o oceano fiz questão de trançar meus cabelos na tentativa de me enturmar. Fiquei tão contente quando me confundiram como nativa.

A vez que eu cruzei o oceano vi zebras, girafas, elefantes, javalis, búfalos e rinocerontes, todos de fronte a minha existência, diminuta existência. Fiquei maravilhada com o céu que parecia querer se aproximar do resto do planeta numa curva. Soube que o mundo é maior do que imaginava, mas menor do que qualquer viagem.

A vez que cruzei o oceano aprendi um pouco sobre aqueles que lutaram para construir um caminho novo, uns juntos aos outros. Conheci israelenses, chineses, alemães e australianos. Do Chipre, holandeses, libaneses, catalães, espanhóis e indianos. Mas também vi os que sempre lá viveram, agora debaixo de uma bandeira, entrelaçados nas suas diferenças.

A vez que cruzei o oceano fui voando, absorvi tudo que pude e em alguns momentos não quis voltar para o lado de cá. Quase nem acreditei, porque aonde me perdi me encontrei.

quem sou mari gomes autor

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#celebrar8: Amandla Stenberg – poder até no nome!

Oi, tudo bem com você? Espero que sim! 😉

Finalmente é sexta-feira! E isso significa celebrar pessoas incríveis aqui no blog! Para começarmos esse mês de Abril bastante inspirados hoje vamos conhecer a Amandla Stenberg!

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Imagem: Instagram @AmandlaStenberg.

Poderosa desde o nome, que significa “poder” em Zulu,  e conhecida principalmente pela sua atuação no filme Jogos Vorazes (2014) como Rue, Amandla Stenberg vêm chamando a atenção do mundo pela quantidade de projetos que desenvolve e dos seus depoimentos empoderadores. Continuar lendo

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#empoderar7: Entendendo a política de branqueamento no Brasil!

Oi, tudo bem com você? Espero que sim! 😉

Este post foi feito em parceria com o blog Escrevendo Só. Lá o assunto discutido foi Colorismo. Não deixe de conferir para compreender mais ainda o texto de hoje! 😉

“O Brasil é um país maravilhoso! Miscigenado, não tem essa de preconceito, não.”

“Racismo? Mas você nem é tão negrx assim!”

“Você é um negrx de alma branca, sabia?!”

Já ouviu alguma dessas frases? Já falou uma delas? Conseguiu enxergar o problema residente em cada uma? Então vamos lá esclarecer enegrecer as coisas. Todas elas são heranças das teorias racistas que afloraram no fim do século XIX e fortaleceram-se no início do século XX aqui no Brasil, criando espaço para a defesa do branqueamento da nossa população.

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Isto é racista!

Num clima de cientificismo e determinismo, teses como a do Darwinismo Social tentaram validar a suposta superioridade dos povos brancos europeus por meio da ciência, mas científicas foi o que menos essas ideias foram. A grande verdade é que foram criadas como pretexto para ratificar a exploração imperialista de terras africanas e asiáticas na virada para o século XX.

Enquanto os países europeus preparavam-se para dividir a África e a Ásia, aqui no Brasil tinham acabado de assinar a Lei Áurea. Por pressões vindas principalmente da Inglaterra nosso país não teve como fugir e assinou, mesmo sendo o último, sua lei de abolição da escravatura.

As lavouras de cana e café, base econômica da época, deveriam agora ter mão de obra remunerada. Entretanto, indignados seus donos estavam e não queriam empregar aqueles que já viveram sobre seu domínio de servidão. Foi aí que aquelas teorias racistas encontraram um ninho para crescer: segundo elas o Brasil estava destinado ao fracasso por ter uma população predominantemente negra. A solução seria, portanto, aumentar o número de brancos europeus no território, pois como suposta raça superior eles trariam o desenvolvimento.

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A obra “Redenção de Cam” do pintor espanhol Modesto Broco representa a esperança depositada na vinda dos imigrantes: eles seriam responsáveis pela “salvação” do nosso país e o caminho para o desenvolvimento. Entenda mais sobre a pintura aqui: Tese do Branquamento | Mundo Educação. Imagem: Reprodução.

Imigração europeia em vento e popa: pronto, o branqueamento já tinha sua estrutura! De um lado o governo incentivava a vinda de brancos para cá para miscigenar e “desenvolver” o Brasil. De outro, a comunidade negra sofria um intenso processo de marginalização, convivendo com o desemprego, hiperssexualização e o desprezo para com seus traços e cultura.

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Aquele momento em que usam o photoshop para te branquear. (Setembro de 2014) Imagem: Reprodução.

Hoje em dia o processo de branqueamento é diluído em nossa consciência coletiva. Alisamentos capilares, clareadores de pele, eufemismos como “morena” e edições de fotos que tornam a pele escura em dourada são algumas das heranças. Pior que isso, porém, é ser julgado intelectualmente inferior, preterido em vagas de trabalho e em relacionamentos e ser violentamente abordado por policiais tendo a cor da pele como ponto de partida.

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“Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.” Confira esses dados na pesquisa da Anistia Internacional e conheça a campanha “Jovem Negro Vivo” da mesma instituição. Imagem: Reprodução.

Junto com o colorismo, discriminação baseada no tom da pele – e que o Ícaro explicou no post parceiro a este do Escrevendo Só, quanto menos retinto você for, menos racismo sofrerá e mais suas características brancas serão valorizadas. É por isso que muitas pessoas as quais se intitulam pardas aqui têm dificuldades para se identificarem com a comunidade negra. Um grande exemplo para isso foi a polêmica que surgiu este ano com o namorado da youtuber Jout Jout, o Caio. Ele que nunca quis aparecer nos vídeos dela, foi forçado a se expor, pois ao mesmo tempo em que era alvo de racismo tinham pessoas afirmando que “ele nem era tão negro assim”.

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Este é o Caio. Confira aqui o vídeo onde ele discute sobre ser negro ou não.

É por conta de problemas como o branqueamento que precisamos falar mais sobre racismo e ter consciência de nossa história. Como brasileirxs precisamos entender que da mesma forma em que somos produto de etnias distintas, é indispensável cultivar a visão de que uma delas foi valorizada em detrimento das outras, sim! Infelizmente ambientes que deveriam promover essa discussão, como as escolas, quase nunca estão preparados. Entretanto, se felizmente você do lado daí tem conhecimento acerca disso, não se deixe silenciar. Fale, grite! Escolha bem suas batalhas e plante a ideia da mudança.

E isso não é uma questão a ser defendida puramente por pessoas negras. Quando um conhecido for preconceituoso não deixe passar! Lembre que o branqueamento era utilizado como pretexto de desenvolvimento do Brasil, contudo, a História mostra que muitos de nossos avanços ocorreram com o trabalho das comunidades marginalizadas e se quisermos continuar evoluindo a pauta racial não pode ser ignorada.

Confira aqui o post sobre Colorismo do blog Escrevendo Só!

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Não se cale!

+ sobre branqueamento no Brasil:

E aí, já tinha ouvido falar na política de branqueamento em nosso país? Qual o seu papel para mudar os resquícios dela? Participe da discussão nos comentários! Sugestões e dúvidas também são bem-vindas. Não deixe de compartilhar este post com seus amigos e amigas e, é claro, de acompanhar o blog pelas redes sociais! Um super abraço e até mais! 😉

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#empoderar5: Criando seu próprio “Hall da Representatividade”!

Oi, tudo bem com você? Espero que sim! 😉

Estava eu nesses dias pensando sobre a transição capilar. Não tem jeito, vou sempre falar dela aqui. Foi com ela que comecei a me sentir confortável na minha própria pele, a entender o racismo, a conhecer mais gente como eu e a criar o meu próprio hall de representatividade (uma referência a “hall da fama”). É sobre este último que vim hoje conversar com vocês.

Confira aqui todos os post sobre transição capilar no blog!

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“Representatividade importa!” Imagem: Reprodução.

Já é mais batido que massa de pão que personagens negros nos conteúdos infantis ou modelos negras em revistas são raridade. Não é novidade que papéis de subserviência é o jeito que a grande mídia encontrou para “incluir” homens e mulheres negros. Também já se sabe que isso afeta a autoestima de pessoas negras, no seu desenvolvimento, pois a representatividade que nos chega é geralmente negativa. Continuar lendo

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#empoderar1: Baile da Vogue 2016, Kylie Jenner, Amandla Stenberg e Apropriação Cultural.

Oooi, gente! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Vocês devem tá se perguntando o que o baile da Vogue 2016 tem a ver com a Kylie Jenner, mais nova das irmãs Jenner-Kardashian, e com a Amandla Stenberg, intérprete de Rue de Jogos Vorazes, né verdade? E a resposta é “Apropriação Cultural”!

Desde já esclareço que esse texto não tem como intenção esgotar as discussões sobre o assunto. Ele também contém as minhas opiniões já que isso é um blog pessoal, mas sintam-se mais que convidados em colocar a de vocês nos comentários. Debates são mais que bem vindos!

Para quem não sabe, o tema escolhido pela Vogue para a festa desse ano foi #PopAfrica, uma tentativa de homenagear o continente africano reduzida a muitos estereótipos racistas. Já a Kylie Jenner, do clã das Kardashians, usou no meio do ano passado um penteado comum nas comunidades afroamericanas que são as tranças rasteiras – ou como dizem nos States, cornrows. Porém, a atriz Amandla Stenberg, intérprete da Rue em Jogos Vorazes (a personagem que morreu nos braços da Katniss, para quem não lembra) mandou a seguinte “indireta” para a Kylie no Instagram dela: “Quando você se apropria de características e da cultura negra, mas falha em usar sua posição de poder para ajudar negros americanos, direcionando atenção em torno do seu penteado ao invés da violência policial ou o racismo”.

E então surge a pergunta: qual o limite entre homenagem e apropriação?

Antes de qualquer coisa, você sabe o que é apropriação cultural? A Nátaly, estudante de Ciências Sociais e blogueira do Afros e Afins, dá uma explicação ótima no vídeo a seguir, mas adiantando, apropriar-se culturalmente é partir de uma estrutura dominante para usar características de culturais alheias – e marginalizadassem respeitar o significado que aquilo tem para o outro. De consequência, o dominante é visto como estiloso e culto, enquanto a comunidade que representa tal cultura continua sendo debochada. Continuar lendo