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Transição capilar: 6 meses e identidade que se revela!

Hey, pessoal! Hoje eu vim aqui continuar com a série de postagens “Transição Capilar” (confira aqui os outros posts! 😉 ). Desde a última conversa com vocês muita coisa aconteceu e agora é momento de contar.

6 meses de transição maia vox

Bem, como o título já indica, minha transição completou seis meses! Num piscar de olhos já é meio de 2014 e nesse tempo pude acumular muita coisa boa com esse processo de transição. Mas algo precisa ser dito: Não foi fácil chegar aqui. Não é. Eu, pelo menos, não sofri nenhuma recaída com alisantes dessa vez, nem mesmo toquei na chapinha, mas isso não diz o quão complicado é enfrentar esse período de luta constante com a sociedade e, principalmente, de forte guerra interna.

Acho que entre o quarto e o quinto mês tive a época mais estressante da minha transição. Aquela euforia do início tinha se acalmado e outras situações surgiram. A dessa hora em especial era uma mistura de preguiça e desmotivação. Eu não queria mais saber de texturizar o cabelo com coquinhos todas às noites e a ansiedade de fazer o Big Chop (Grande Corte) latejava na mente. Mas dia vai, dia vem, notei que eu estava perdendo o controle sobre o motivo de ter começado a transição. Parei, pensei e vi que ainda não estava preparada o suficiente para o Big Chop e que importância da transição mora em aprender aos poucos a lidar com o cabelo natural, inclusive a amá-lo do jeito é, sem falsas expectativas. Porém, mesmo tendo recuperado toda essa significação do processo, ainda sim queria cortar o cabelo. Então, numa tarde de fim de semana, uma tesoura e um tiquinho de coragem, o fiz. Foram somente três dedos de cabelo, mas que ao mesmo tempo em que me livraram das pontas duplas me trouxeram um gostinho da liberdade de abandonar a química. Pronto, estava revigorada.

Outra coisa que ocorreu de lá para cá foi eu ter crescido demais em relação a minha identidade de mulher negra. Diante de fatos como a morte da Cláudia, a eleição da Lupita Nyong’o como a mulher mais bela do mundo pela revista People, a polêmica hashtag #somostodosmacacos e o 13 de Abril, eu entendi melhor quem eu sou, minhas lutas na sociedade e venho passando por um intenso processo de desconstrução e construção das ideias.

Além das discussões aqui dentro da minha casa sobre isso, algumas andanças na internet me fizeram e fazem enxergar melhor o preconceito velado no dia-a-dia e conhecer personalidades que me servem de inspiração para alcançar o que sonho apesar das adversidades.

Cacheadas in Love, Blogueiras Negras, Meninas Black Power, Indiretas Crespas, Pollyana Colona, Negahamburguer, Bredha Lima, Chimamanda Adichie, Janelle Monaé e Karol Conká. São apenas alguns nomes de comunidades na rede  e de mulheres negras que com seu trabalho me ajudam e ajudam a outras meninas e meninos negros a se enxergarem como tal e ter orgulho de quem somos no meio de um sistema que tenta embranquecer-nos a todo custo.

Como efeito disso tudo, não posso negar que minhas ações mudem e a partir disso aviso a vocês que com certeza o blog terá sua carga de influência desse meu crescimento. Vocês vão perceber.

Então é isso, galera! Quem aí também tá em transição? Espero muito ter ajudado! Um super abraço! 😉

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