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A vez que cruzei o oceano.

A vez que eu cruzei o oceano eu quase não acreditei. Lembrei, logo após de receber a notícia da viagem, de quando mais nova meu pai me contava ao irmos à praia. “Se formos direto com o horizonte chegaremos na África”. “Como assim?”, eu  me perguntava. Como atravessar o mar e voltar para…casa?

🎵…And I say to myself what a wonderful world… #southafrica #safari

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Parti para os preparativos. Que roupa usar? Será que vai nevar? E o céu, como é? As pessoas, como são? Qual a verdadeira história? Segundo a meteorologia da internet, abril é um mês bastante frio na África do Sul. Torci para ver neve, mas não vi. Sei que nas pessoas que vi me percebi, muito mais do que eu esperava ou já experimentara. Só de eu ir lá para uma competição científica já quebrava toda a narrativa de privações daquela terra -obrigada, Chimamanda, por me abrir os olhos.

A vez que eu cruzei o oceano fiz questão de trançar meus cabelos na tentativa de me enturmar. Fiquei tão contente quando me confundiram como nativa.

A vez que eu cruzei o oceano vi zebras, girafas, elefantes, javalis, búfalos e rinocerontes, todos de fronte a minha existência, diminuta existência. Fiquei maravilhada com o céu que parecia querer se aproximar do resto do planeta numa curva. Soube que o mundo é maior do que imaginava, mas menor do que qualquer viagem.

A vez que cruzei o oceano aprendi um pouco sobre aqueles que lutaram para construir um caminho novo, uns juntos aos outros. Conheci israelenses, chineses, alemães e australianos. Do Chipre, holandeses, libaneses, catalães, espanhóis e indianos. Mas também vi os que sempre lá viveram, agora debaixo de uma bandeira, entrelaçados nas suas diferenças.

A vez que cruzei o oceano fui voando, absorvi tudo que pude e em alguns momentos não quis voltar para o lado de cá. Quase nem acreditei, porque aonde me perdi me encontrei.

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Maia Vox TV: Hierarquização dos tipos de cabelo e frustração!

Oi, gente, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

É com muita alegria que apresento hoje para vocês o primeiro vídeo da série (Des)Enrolando, que foi pensada para avançar no tema empoderamento através da estética, algo que tanto converso com vocês por aqui.

capa desenrolando 1

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#empoderar12: 6 mulheres negras da nossa história: Aqualtune, Dandara, Tereza de Benguela, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez.

Oi, tudo bem com vocês? Eu espero que sim! 😉

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Sexta-feira passada foi o 13 de Maio. Ao contrário do que é repassado em muitas escolas Brasil a fora, a assinatura da Lei Áurea em 1888 pela Princesa Isabel não foi um ato de benevolência da majestade. Estava mais para um ato bem interesseiro, de lucros além-mar. Logo após a assinatura, os ex-escravos que não continuaram nos antigos postos de subordinação, já que não eram bem-vindos nos centros urbanos, ocuparam os morros.

Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Êle continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

Machado de Assis. Crônica publicada no jornal Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888. Trecho retirado de Geledés.

Estamos aqui 128 anos após a tal lei e a população negra ainda sofre com os resquícios dos tempos de cativeiro.

Minha princesa nunca foi Isabel. Minha princesa é Dandara!

Seguindo a ideia dos últimos 8 de marços aqui no blog, reuni nesse post 6 mulheres negras importantes da nossa história brasileira, comumente apagadas dos livros. Conheça hoje Aqualtune, Dandara, Tereza de Benguela, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez!

Confira ainda aqui no Maia Vox:

Aqualtune:  Princesa do Congo no século XVII. Guerreira africana, liderava tropas no seu país de origem. Aqui no Brasil, não se rendeu ao sistema escravocrata e o mais rápido que pode fugiu e se reuniu no Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, Alagoas. Carregando seu legado real, foi líder quilombola, e herdaram seu dom Ganga Zumba, seu filho, e Zumbi dos Palmares, seu neto.

Fonte: Espaço Aqualtune – Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Dandara: Muito além de ser esposa de Zumbi dos Palmares, Dandara era uma das lideranças femininas no quilombo dos Palmares.  Além de ajudar na comunidade com a plantação, a produção de farinha de mandioca e a caça, ela defendia seu território, fosse com a capoeira, empunhando armas ou liderando as falanges femininas do exército negro palmarino.

Fonte: Dandara: A Face Feminina de Palmares – Geledés

mulheres negras

Da esquerda para a direita: Carolina Maria de Jesus, Luíza Mahin e Lélia González. Imagens: Reprodução.

Tereza de Benguela:  também guerreira como Dandara e Aqualtune, Tereza liderou o quilombo de Quariterê, em Mato Grosso, no século XVIII. Este cresceu tanto sob seu comando que chegou a agregar índios bolivianos e brasileiros. Obviamente, isso incomodou bastante as Coroas espanhola e portuguesa. Depois de muita luta, infelizmente Tereza foi presa. Entretanto, recusou-se até o último instante a uma situação de escravizada, suicidando-se.

Fonte:A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA DAS MULHERES DE VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE – Elen Luci Prates – CEFAPRO Cuibá

Luíza Mahin:

Luíza Mahin, “uma negra, africana livre, da Costa da Mina”, mãe do poeta Luiz Gama, é idealizada e reverenciada por segmentos da sociedade brasileira associados aos movimentos negros e à valorização da história e cultura afrobrasileiras, sendo representada pela memória histórica como uma quitandeira que foi escrava de ganho e que sempre resistiu ao cativeiro. Uma mulher insubordinada, que se tornou símbolo de luta e resistência negra, configurando um mito para a população afrodescendente.

Fonte: Trecho de LUIZA MAHIN ENTRE FICÇÃO E HISTÓRIA, de ALINE NAJARA DA SILVA GONÇALVES para UNEB (UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA).

Carolina Maria de Jesus:

 Nascida em Sacramento (MG), Carolina mudou-se para a capital paulista em 1947 […] Apesar do pouco estudo, tendo cursado apenas as séries iniciais do primário, ela reunia em casa mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela, um dos quais deu origem ao livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.

Fonte: Trecho da Biografia  de Carolina Maria de Jesus – Educação UOL

Lélia González: Descolonização do saber e da produção de conhecimento era um dos pensamentos de Lélia González, intelectual negra brasileira, defensora de um feminismo afrolatinoamericano. “Atuou como desencadeadora das mais importantes propostas de atuação do Movimento Negro Brasileiro. Participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), em nível nacional, do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras-RJ, do Olodum-BA, dentre outros.”

Fontes:

Recomendo a você que leu todo o post a tirar um tempinho depois e conferir todas as fontes que disponibilizei. É importante para nós brasileirxs conhecermos parte de nossa história que nunca foi contada!

Já conhecia alguma dessas mulheres incríveis? Quais outras você acha que deveriam aparecer aqui também! Deixe sua opinião nos comentários! Também acompanhe o blog pelas redes sociais! Um beijo e até a próxima! 😉

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#distrair10: Steven Universo!

Oi, tudo bem com você? Eu espero que sim!

Nem acredito que chegamos a edição 10 do Distrair! Desde que comecei essa nova proposta para o blog (Conversas para distrair, empoderar e celebrar) muitas coisas boas têm me acontecido e se preparem porque vou compartilhar com vocês daqui para frente. Sério, são ótimas novidades!

Confira todos os post com a tag #Distrair aqui do blog!

Desde o primeiro Distrair até esse, compartilhamos séries, filmes e músicas. Entretanto ainda não tinha chegado a vez das animações! Não sei tanto quanto gostaria sobre desenhos animados, mas quando gosto de algum, gosto de verdade. E foi por essa razão que tive que falar sobre Steven Universo hoje! Você já assistiu?

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Da esquerda para direita: Steven, Ametista, Pérola e Garnet. Imagem: Reprodução.

Steven Universo é um garoto criado pelas Crystal Gems, três mulheres intergaláticas com super poderes desenvolvidos a partir das pedras preciosas que lhes dão nome. Ao lado de Garnet, Ametista e Pérola, Steven aprende a se tornar um guardião da Terra, assim como foi sua mãe, a Rose Quartz.

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Greg Universo e Rose Quartz. Imagem: Reprodução.

Filho de uma Gem e de um ser humano, Greg UniversoSteven tem os poderes da mãe, doados em nome de seu nascimento. Sendo assim, ele precisa lidar com situações nem sempre fáceis, como a ausência da figura materna, mas tem o otimismo com marca registrada.

E enquanto passeia por Beach City, sua cidade natal, e outros mundos, seja resolvendo missões ou procurando se divertir, Steven vai desvendando os segredos de sua existência. Continuar lendo

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#celebrar8: Amandla Stenberg – poder até no nome!

Oi, tudo bem com você? Espero que sim! 😉

Finalmente é sexta-feira! E isso significa celebrar pessoas incríveis aqui no blog! Para começarmos esse mês de Abril bastante inspirados hoje vamos conhecer a Amandla Stenberg!

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Imagem: Instagram @AmandlaStenberg.

Poderosa desde o nome, que significa “poder” em Zulu,  e conhecida principalmente pela sua atuação no filme Jogos Vorazes (2014) como Rue, Amandla Stenberg vêm chamando a atenção do mundo pela quantidade de projetos que desenvolve e dos seus depoimentos empoderadores. Continuar lendo

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#celebrar7: Devaneios de beleza.

Oi, tudo bem com você? Espero que sim! 😉

Eu passei horas a fio pensando no que escrever nesse post de hoje. Mesmo tendo um banco de ideias senti ainda não era o dia para nenhuma delas. Resolvi então divagar, coisa que mais faço nessa vida.

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Imagem: Reprodução.

Vamos falar sobre beleza. Nesses dias me peguei remoendo uma lembrança sobre o assunto: quando eu era mais nova e as meninas começaram a se atrair por artistas e celebridades eu ainda não tinha formado o meu ideal de beleza. Eis aqui um diálogo comum da época:

Alguém – Você acha Brad Pitt bonito?

Eu – Não.

Alguém – E o Zac Efron?

Eu – Também não.

Alguém – Mas olha só esse olho azul, essa pele clara, esse cabelo loi…

Eu – Ainda não.

Custei a achá-los bonitos. Tudo porque apesar de bonito e feio existirem em meu vocabulário essas não eram palavras que eu atribuía a pessoas. Sério, eu simplesmente não conseguia! Na ingenuidade do mundo todo para mim só existiam… pessoas. Não haviam me contado que beleza é uma construção social.

O negócio é que insistiram tanto em me convencer que aquilo (olho azul, pele clara, cabelo loiro) era bonito e tudo ao contrário, não que para minha desgraça implantaram essa ideia no meu inconsciente. Dali em diante foi um processo de negação hardcore de mim mesma. De sempre olhar no espelho e ver que eu era o revés do supostamente lindo, comecei a não gostar de mim. Fui então, por conveniência, de uma criança tagarela e amostrada para uma calada e observadora.

Hoje, com aquela história toda da aceitação que já contei aqui umas mil vezes e continuarei a contar, ser calada e observadora já não me é problema, pois não guardo mais emoções e aprendo muito com isso. Sou convicta que cada um nesse planeta guarda algum tipo de beleza, nem sempre visível aos olhos. Entretanto uma coisa é certa: até esse estágio de certeza minha essência de faladeira e exibida foi massacrada. Ok, eu sei que com o passar dos anos eu mudaria e assim foi! Mas percebe o perigo no que me aconteceu? Eu mudei minha forma de pensar sobre os outros e sobre mim por pura padronização. E só para reforçar, soletrarei: M-a-s-s-a-c-r-e.

Descubra em outros textos aqui no blog o que aceitação e autoestima tem a ver com a transição capilar.

E hoje o post poderia partir para um lado de sérias reivindicações como geralmente faço aqui nas quartas-feiras, dia do empoderamento no blog, porém agora é hora de desabafo e, mais ainda, de celebrar.

Confira aqui os textos do blog que mais emanam poder!

Celebrar o que é diferente no físico, no psicológico, no modo de viver e na maneira de enxergar o mundo. Não se preocupe, muito mais do que inventam, sair do roteiro não é um problema. Geralmente é até melhor porque as surpresas levam aos improvisos e estes levam à superação e à diversão. Além do mais, beleza não é uma obrigação, mas isso é tema para outro post. E por favor, não tente empurrar padrões para os outros. Não adianta aplicar as regras da felicidade somente para amaciar nosso ego.

Por hoje era apenas isso. Um bom e leve fim de semana para você! Sinta-se mais que à vontade para me contar nos comentários o que você acha bonito e o porquê, ok? Adoraria saber!

Se gostou do post, compartilha com o mundo, de papagaio a falsianes. Se não gostou, também. Eu sei que você é legal! E sabe, tem umas redes sociais aí em baixo para a gente conversar sempre que quisermos. Abraços e até mais! 😉

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Playlist 6 mulheres que mudaram o mundo da música!

Continuando o post #distrair6: Seis mulheres que mudaram o mundo da música!, aqui está a playlist com as artistas apresentadas no texto passado. Divirta-se!

8 de março não é uma data para flores e chocolates apenas, mas sobretudo para reflexão. Conheça agora 6 mulheres que transformaram para sempre o mundo da música! #distrair6: Seis mulheres que mudaram o mundo da música!

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Nina Simone – Feelin’ Good:

Diana Ross – Ain’t No Mountain High Enough:

Papa Don’t Preach – Madonna:

Doo-Wop (That Thing) – Ms. Lauryn Hill:

Beyoncé (Destiny’s Child)–  Survivor:

Taylor Swift – Bad Blood:

Espero que tenham gostado! Não deixe de compartilhar com seus amigos e acompanhar o blog pelas redes sociais!

Confira aqui a Playlist “Girl Power”!

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