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#empoderar12: 6 mulheres negras da nossa história: Aqualtune, Dandara, Tereza de Benguela, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez.

Oi, tudo bem com vocês? Eu espero que sim! 😉

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Sexta-feira passada foi o 13 de Maio. Ao contrário do que é repassado em muitas escolas Brasil a fora, a assinatura da Lei Áurea em 1888 pela Princesa Isabel não foi um ato de benevolência da majestade. Estava mais para um ato bem interesseiro, de lucros além-mar. Logo após a assinatura, os ex-escravos que não continuaram nos antigos postos de subordinação, já que não eram bem-vindos nos centros urbanos, ocuparam os morros.

Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Êle continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

Machado de Assis. Crônica publicada no jornal Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888. Trecho retirado de Geledés.

Estamos aqui 128 anos após a tal lei e a população negra ainda sofre com os resquícios dos tempos de cativeiro.

Minha princesa nunca foi Isabel. Minha princesa é Dandara!

Seguindo a ideia dos últimos 8 de marços aqui no blog, reuni nesse post 6 mulheres negras importantes da nossa história brasileira, comumente apagadas dos livros. Conheça hoje Aqualtune, Dandara, Tereza de Benguela, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez!

Confira ainda aqui no Maia Vox:

Aqualtune:  Princesa do Congo no século XVII. Guerreira africana, liderava tropas no seu país de origem. Aqui no Brasil, não se rendeu ao sistema escravocrata e o mais rápido que pode fugiu e se reuniu no Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, Alagoas. Carregando seu legado real, foi líder quilombola, e herdaram seu dom Ganga Zumba, seu filho, e Zumbi dos Palmares, seu neto.

Fonte: Espaço Aqualtune – Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Dandara: Muito além de ser esposa de Zumbi dos Palmares, Dandara era uma das lideranças femininas no quilombo dos Palmares.  Além de ajudar na comunidade com a plantação, a produção de farinha de mandioca e a caça, ela defendia seu território, fosse com a capoeira, empunhando armas ou liderando as falanges femininas do exército negro palmarino.

Fonte: Dandara: A Face Feminina de Palmares – Geledés

mulheres negras

Da esquerda para a direita: Carolina Maria de Jesus, Luíza Mahin e Lélia González. Imagens: Reprodução.

Tereza de Benguela:  também guerreira como Dandara e Aqualtune, Tereza liderou o quilombo de Quariterê, em Mato Grosso, no século XVIII. Este cresceu tanto sob seu comando que chegou a agregar índios bolivianos e brasileiros. Obviamente, isso incomodou bastante as Coroas espanhola e portuguesa. Depois de muita luta, infelizmente Tereza foi presa. Entretanto, recusou-se até o último instante a uma situação de escravizada, suicidando-se.

Fonte:A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA DAS MULHERES DE VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE – Elen Luci Prates – CEFAPRO Cuibá

Luíza Mahin:

Luíza Mahin, “uma negra, africana livre, da Costa da Mina”, mãe do poeta Luiz Gama, é idealizada e reverenciada por segmentos da sociedade brasileira associados aos movimentos negros e à valorização da história e cultura afrobrasileiras, sendo representada pela memória histórica como uma quitandeira que foi escrava de ganho e que sempre resistiu ao cativeiro. Uma mulher insubordinada, que se tornou símbolo de luta e resistência negra, configurando um mito para a população afrodescendente.

Fonte: Trecho de LUIZA MAHIN ENTRE FICÇÃO E HISTÓRIA, de ALINE NAJARA DA SILVA GONÇALVES para UNEB (UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA).

Carolina Maria de Jesus:

 Nascida em Sacramento (MG), Carolina mudou-se para a capital paulista em 1947 […] Apesar do pouco estudo, tendo cursado apenas as séries iniciais do primário, ela reunia em casa mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela, um dos quais deu origem ao livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.

Fonte: Trecho da Biografia  de Carolina Maria de Jesus – Educação UOL

Lélia González: Descolonização do saber e da produção de conhecimento era um dos pensamentos de Lélia González, intelectual negra brasileira, defensora de um feminismo afrolatinoamericano. “Atuou como desencadeadora das mais importantes propostas de atuação do Movimento Negro Brasileiro. Participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), em nível nacional, do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras-RJ, do Olodum-BA, dentre outros.”

Fontes:

Recomendo a você que leu todo o post a tirar um tempinho depois e conferir todas as fontes que disponibilizei. É importante para nós brasileirxs conhecermos parte de nossa história que nunca foi contada!

Já conhecia alguma dessas mulheres incríveis? Quais outras você acha que deveriam aparecer aqui também! Deixe sua opinião nos comentários! Também acompanhe o blog pelas redes sociais! Um beijo e até a próxima! 😉

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“Sexo e as Nêga” não nos representa – porque não é disso que precisamos!

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Ooi pessoal! Hoje eu venho aqui não para fazer um post descontraído como os em geral. Venho conversar com vocês sobre um assunto mais sério, pois assim como vejo o blog para nos distrairmos de alguns problemas do dia a dia, o enxergo também como um espaço que cabem debates como o que teremos a seguir.

Penso que boa parte de vocês já devem estar informados da nova série da tv Globo: Sexo e as Nêga. Assinada pelo Miguel Falabela, homem branco cisgênero (lê-se privilegiado na sociedade), ela é mais um desfavor dessa rede televisa para o nosso país. Mais um desfavor para a população negra, sobretudo às mulheres.

Primeiro porque apesar de vivermos num país tão miscigenado e que por isso deveria respeitar todas as culturas e etnias presentes em seu território, não vivemos numa democracia racial. Isso está mais para uma fantasia que tentam empurrar goela a baixo e que cai por terra facilmente. É só se perguntar por que os brasileiros mais pobres são negros, porque indígenas ainda lutam para conservação de suas tribos contra empreendimentos, porque homens brancos ganham muito mais que os negros, porque na televisão e em toda publicidade vemos quase que exclusivamente pessoas com traços caucasianos, sendo que não é esse o predominante no Brasil.

Segundo porque quando falamos das mulheres negras, elas parecem ter nascido numa intersecção azarada, afinal todas são feias, não passam de objeto de satisfação sexual, estão aqui pra toda vez limpar a sujeira, barraqueiras por essência, incultas e nunca passíveis de aprendizagem. Pelo menos é que se prega por todo canto e a TV Globo tem bastante participação nisso, já que foi por décadas e ainda é o cuspidor de informações que mais alcança os brasileiros. Não pensem que outras emissoras não perpetuam o racismo e outras formas de preconceito na nossa sociedade, mas destaquei aquela pela última façanha racista e machista que estreou na sua programação: a tal minissérie “Sexo e As Nêga”.

Enquanto escrevia esse texto vi a notícia de que um dos culpados das mulheres estupradas e assassinadas em Queimadas, Pernambuco, foi julgado e recebeu mais de 100 anos de prisão. Foi realmente bom ver que as vítimas de um caso como esse não foram tomadas como culpadas, pelo menos pela Justiça Federal. Mas na mesma hora percebi que todas aquelas mulheres eram brancas e me veio à cabeça que a Cláudia, mulher negra arrastada por ruas presa a um carro da polícia, não teve seus agressores presos. E tantas outras Cláudias entram nessa estatística e não tem seus agressores punidos depois dos casos de violência, seja arrastada por uma viatura, estuprada, assassinada ou até mesmo porque não recebeu a atenção médica devida em sua gravidez.

É por conta dessa e outras situações que hoje eu trago algumas ideias que mostram o porquê de “Sexo e as Nêga” não deve ser a representação das mulheres negras na TV. Como muitas blogueiras negras e feministas já escreveram sobre isso e eu concordo com suas colocações, preferi não prolongar muito por aqui para não repetir tudo o que já foi falado. Por isso, sinto obrigação de disseminar as ideias por aqui, até porque, como se não bastassem as imagens de “globeleza” e “mulata tipo exportação” no carnaval, nós mulheres negras não vamos aguentar mais uma vez ver nossos corpos sendo hiperssexualizados em rede nacional!

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Texto 1 : Sobre falas – belas de Lucinda, sexo, as negas, corações e suburbanos. Por Gabriela Ramos. 

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Texto 2 : Ah! Branco, dá um tempo! Carta aberta ao senhor Miguel Falabella. Por Blogueiras Negras.

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Texto 3:  Ô Ô Ô Ô Ô my brother – não é meu aliado quem me marca a ferro. Por Maria Rita.

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Texto 4: “Eu, Globeleza aos 5 anos (e porque “Sexo e as Negas” não me representa).” Por Stephanie Paes.

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SEXO E AS NÊGA NÃO NOS REPRESENTA!

Imagens reproduzidas daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e daqui.

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