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Maia Vox TV: Debate “Pretas e Acadêmicas”!

Ooi, gente! Tudo bem com vocês? Eu espero que sim! 😉

No post de hoje vim compartilhar várias das referências que apareceram no debate “Pretas e Acadêmicas”, que aconteceu no último domingo (26) no nosso canal do youtube (Youtube.com/BlogMaiaVox). Conversamos bastante sobre como o racismo e o sexismo se manifestam dentro das instituições de ensino, sobretudo através das formas de epistemicídio e silenciamento.

Você já conhece esses termos? São palavras complicadas para situações mais ainda. Mas calma que as nossas convidadas do debate Jéssica Oliveira, estudante de Engenharia Química na Universidade Federal de Sergipe, e Renata Cruz, estudante de Direito na Estácio de Sá em Aracaju, nos ajudaram a entender e pensar essas questões.

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#empoderar10: Gostar de uma cantora negra não te faz menos racista!

Oi, tudo bem com você? Eu espero que sim!

Hoje finalmente chegamos ao décimo post da sessão EMPODERAR. Foram tantos assuntos já debatidos: de amor próprio a mulheres incríveis, de apropriação cultural a embraquecimento.

Confira todos os posts de EMPODERAR aqui no blog!!!

Conversaremos agora sobre a polêmica surgida a partir da paródia de Work, hit atual de Rihanna em parceria com o rapper Drake, feito por Kéfera Buckman e Gustavo Stockler, ambos youtubers brasileiros com milhares de inscritos em seus canais.

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Nesse post não me deterei às questões de desigualdade de gênero reproduzidas na paródia. Para isso recomendo o texto incrível da Carla Silva (logo abaixo). E não, eu não vou falar apenas se teve black face no vídeo. Isso porque escrevo este texto fugindo da redução aos mesmos moldes que o debate sobre racismo por conta da tal paródia foi diminuído a uma richa de paixões, de gostar ou não da Kéfera, por gente que não entende que racismo não é só chamar de macaco.

De mulher para mulher: uma conversa sobre a paródia de “Work”, da Kéfera. – Carla Silva em Portal It Pop

Antes de continuar o post, recomendo assistir a coleção de snaps em que a Kéfera tentou se defender. Clique aqui.

Black face.

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Muitas pessoas, a partir desta imagem, começaram a dizer que o Gustavo teria se pintado com maquiagem mais escura para simular a pele negra do Drake. Imagem: Instagram @gustastockler.

Uma das acusações de racismo na paródia de Work de Kéfera e Gustavo foi a de black face. Mas o que é isso? É uma prática que surgiu no século XIX nos chamados shows de menestréis, em que atores brancos pintavam-se de preto para escrachar a figura da pessoa negra. Porém black face é mais do que isso. É um estilo de entretenimento baseado em esteriótipos racistas que começou com os shows de menestréis e continuam até hoje no inconsciente coletivo.

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Foto em que Kéfera postou do antes e depois da gravação da paródia para provar que não se usou uma maquiagem mais escura. Imagem: Instagram @kefera.

Mas será essa a primeira vez que Kéfera está envolvida numa acusação de black face? Não! No carnaval de 2013, ela fez mais uma “paródia” ultrapassando todos os limites do respeito, fantasiando-se da versão brasileira do black face, a nega maluca. O vídeo hoje não se encontra mais no canal dela, mas ainda é possível assisti-lo ao clicar neste link.

Pelo depoimento dela neste último episódio dá para ver que em três anos ela finalmente decorou o significado de black face, só falta aprender a não reproduzir racismo de uma vez por todas.

Falemos então do Gustavo, afinal a Kéfera não estava sozinha nessa. Diferente dela, ele resolveu não se posicionar sobre o ocorrido, mas era o principal acusado da tal prática racista.

Mas nem foi black face! Ele é negro! Como dito antes, infelizmente o black face não se retém a figura do branco pintado de preto. Tivemos ainda o black voice, extensão do black face em programas de rádio, em que pessoas brancas reproduziam uma fala supostamente das pessoas negras com o intuito de ridicularizá-la.

Mais recentemente também, Hollywood decidiu pintar Zoe Saldana, uma atriz negra, para representar a cantora Nina Simone, cantora também negra, sucesso da década de 60 e importante ativista no Movimento dos Direitos Civis nos EUA. A diferença é que o racismo aí se manifestou com o colorismo, pois a indústria cinematográfica achou por bem escurecer com maquiagem a pele de uma atriz para interpretar um ícone da música que sofreu bastante por ter a pele retinta e se posicionar contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Conheça quem foi Nina Simone neste post do blog: #distrair6 – 6 mulheres que mudaram o mundo da música.

Entenda o que é colorismo com o post parceiro do blog Escrevendo Sozinho.

Mas ele não é negro, é indígena! Em muitos de seus vídeos, Gustavo cita sua ascendência indígena. Ele pode até não ser obrigado a explicar como entende sua identidade racial por isso ser também questão pessoal, mas o que estou tentando explicar é que o racismo encontra sempre novas formas de se entranhar na nossa cultura.

Nessa polêmica toda, mais importante do que saber se teve black face ou não é entender que estamos num mesmo barco que afunda em preconceitos e ignorá-los não acaba com o nosso afogamento em desigualdades.

Para saber mais sobre Black Face:

Gostar de uma cantora negra não te faz menos racista!

Ela não é sua carta de defesa contra acusações de racismo. Nem suas amigas e amigos negros. Nem seus professores. Nem seus companheiros. Nem sua bisavó e seu tataravó. Muito menos os dois nomes de intelectuais negros que você gravou dentro de uma academia embraquecedora.

Clique aqui e leia sobre a Política de Embraquecimento que existiu no Brasil e os seus reflexos atualmente aqui no blog!

Conectando com a paródia, temos uma questão de apropriação cultural, aquela história de gostar da cultura negra, mas não dos negros. No caso existia uma linha tênue entre a suposta homenagem para a Rihanna e apropriação cultural, que foi quebrada e puxada para o segundo lado a partir do momento em que Kéfera respondeu de forma preconceituosa, escancarando mais uma vez o racismo dentro dela – porque não moça, querer dizer o que é sofrer racismo sendo uma pessoa branca é silenciador e opressor.

Clique aqui para ler os textos sobre Apropriação Cultural no blog!

Como diz a Karol Conká: o preconceito velado tem o mesmo efeito, mesmo estrago. Raciocínio afetado falar uma coisa e ficar do outro lado. A sociedade só não esquece que Rihanna é negra porque 1) ela é estrondosamente famosa ao redor do mundo e 2) ela transparece no trabalho o orgulho de sua identidade racial.

Recomendado: Work, work, work: Isso é Patois – por Bárbara Paes para o Ovelha Negra.

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Rihanna na premiação “Black Girls Rock” neste ano: “Mas isso é por que a noite de hoje é tão importante para mim. Porque eu penso que posso inspirar muitas mulheres jovens a serem elas mesmas, e isso é metade da batalha.” Imagem: Reprodução.

No entanto, sendo Riri poderosa do jeito que é, ainda falam “mas ela nem é tão negra assim”. Enquanto isso, nós, pessoas negras, ainda ocupamos espaços de subserviência por razões históricas. Ainda continuamos morrendo por conta delas. Deixe-me repetir: M-O-R-R-E-N-D-O.

O tal do vitimismo e o mimimi.

Na sua defesa por via do aplicativo Snapchat, Kéfera disse:

“…tiveram algumas pessoas, na sua maioria negras, que disseram se sentir ofendidas com a paródia…não entendi quem se sentiu ofendido…” (no segundo link que coloquei aqui, a fala começa no minuto 1:40 e vai até o 2:00).

Um outro desfavor também foi feito pelo youtuber Felipe Neto ao dar sua opinião sobre a polêmica com a paródia de Work. Ele, que achou ruim quando a Lupita Nyong’o foi eleita a mulher mais bonita do mundo pela Revista People. O mesmo que fez um vídeo com uma mulher negra para não se dizer racista, disse:

“…embora eu ache que não tem nada de errado se o Gusta tivesse se pintado de preto para fazer um personagem, visto que era importante para o clipe e não estaria interpretando um escravo, ele não fez isso. O chilique é completamente equivocado. E aí vem o que me irrita, que é o argumento que diz que se uma minoria disse que sofreu preconceito você não pode discordar dela”. Neste link, do minuto 1:26 até o 1:51.

Pessoas, não é porque se gravou o significado de black face ou se tem uma conhecida negra que você é menos racista! Não diga para um grupo oprimido o que é sofrer a opressão e esperar que fiquemos todos calados!

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“Essa foi a coisa mais estúpida que já ouvi.” Imagem: Reprodução.

Racismo não é só xingamento! Racismo é sobre poder! Não é só uma vez na vida que sofremos! E ainda que fosse, ninguém merece ter sua humanidade duvidada uma vez sequer, mas não, é todo santo dia! É quando o fiscal da loja nos persegue. Quando pensam que sempre somos a empregada ou o porteiro. É quando fazem chiado pelas cotas raciais. Quando nos negam atendimento médico. É quando nos deixam morrer e os culpados não são julgados por serem brancos. Superar toda essa porcaria não é fácil! Nem todos nós conseguimos! Então repito, não venha dizer o que é ser oprimido quando você é o opressor, querendo ou não.

Não venha diminuir a luta!

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Ocupada demais com a coroa para se importar com a estupidez alheia. Imagem: Reprodução.

Essa mania de não entender o todo, reduzir o debate a maniqueísmos é o que perpetua toda e qualquer forma de preconceito. Nesse contexto, ninguém se mostra disposto a reconhecer suas atitudes errôneas, ainda mais quando são chamadas de racistas, e por fim acabam se defendendo de uma forma mais preconceituosa ainda.

Embora as intenções possam ser as melhores possíveis, ações superam intenções. Por isso entender nossa posição na sociedade, reconhecer nossos privilégios é fundamental para sabermos o nosso lugar de escuta e nosso lugar de fala.

“Nossa, mas é irônico ficar falando desses youtubers, porque assim o Ibope aumenta e eles ganham mais dinheiro.” Podem continuar ganhando o dinheiro que for, mas carreiras erguidas em racismo não mais passarão. Vamos fazer muito mais barulho, porque como diz a maravilhosa da Inês Brasil: se me atacar, eu vou atacar.tumblr_o1q48f9c1a1v5u1pwo1_500.png

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#empoderar7: Entendendo a política de branqueamento no Brasil!

Oi, tudo bem com você? Espero que sim! 😉

Este post foi feito em parceria com o blog Escrevendo Só. Lá o assunto discutido foi Colorismo. Não deixe de conferir para compreender mais ainda o texto de hoje! 😉

“O Brasil é um país maravilhoso! Miscigenado, não tem essa de preconceito, não.”

“Racismo? Mas você nem é tão negrx assim!”

“Você é um negrx de alma branca, sabia?!”

Já ouviu alguma dessas frases? Já falou uma delas? Conseguiu enxergar o problema residente em cada uma? Então vamos lá esclarecer enegrecer as coisas. Todas elas são heranças das teorias racistas que afloraram no fim do século XIX e fortaleceram-se no início do século XX aqui no Brasil, criando espaço para a defesa do branqueamento da nossa população.

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Isto é racista!

Num clima de cientificismo e determinismo, teses como a do Darwinismo Social tentaram validar a suposta superioridade dos povos brancos europeus por meio da ciência, mas científicas foi o que menos essas ideias foram. A grande verdade é que foram criadas como pretexto para ratificar a exploração imperialista de terras africanas e asiáticas na virada para o século XX.

Enquanto os países europeus preparavam-se para dividir a África e a Ásia, aqui no Brasil tinham acabado de assinar a Lei Áurea. Por pressões vindas principalmente da Inglaterra nosso país não teve como fugir e assinou, mesmo sendo o último, sua lei de abolição da escravatura.

As lavouras de cana e café, base econômica da época, deveriam agora ter mão de obra remunerada. Entretanto, indignados seus donos estavam e não queriam empregar aqueles que já viveram sobre seu domínio de servidão. Foi aí que aquelas teorias racistas encontraram um ninho para crescer: segundo elas o Brasil estava destinado ao fracasso por ter uma população predominantemente negra. A solução seria, portanto, aumentar o número de brancos europeus no território, pois como suposta raça superior eles trariam o desenvolvimento.

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A obra “Redenção de Cam” do pintor espanhol Modesto Broco representa a esperança depositada na vinda dos imigrantes: eles seriam responsáveis pela “salvação” do nosso país e o caminho para o desenvolvimento. Entenda mais sobre a pintura aqui: Tese do Branquamento | Mundo Educação. Imagem: Reprodução.

Imigração europeia em vento e popa: pronto, o branqueamento já tinha sua estrutura! De um lado o governo incentivava a vinda de brancos para cá para miscigenar e “desenvolver” o Brasil. De outro, a comunidade negra sofria um intenso processo de marginalização, convivendo com o desemprego, hiperssexualização e o desprezo para com seus traços e cultura.

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Aquele momento em que usam o photoshop para te branquear. (Setembro de 2014) Imagem: Reprodução.

Hoje em dia o processo de branqueamento é diluído em nossa consciência coletiva. Alisamentos capilares, clareadores de pele, eufemismos como “morena” e edições de fotos que tornam a pele escura em dourada são algumas das heranças. Pior que isso, porém, é ser julgado intelectualmente inferior, preterido em vagas de trabalho e em relacionamentos e ser violentamente abordado por policiais tendo a cor da pele como ponto de partida.

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“Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.” Confira esses dados na pesquisa da Anistia Internacional e conheça a campanha “Jovem Negro Vivo” da mesma instituição. Imagem: Reprodução.

Junto com o colorismo, discriminação baseada no tom da pele – e que o Ícaro explicou no post parceiro a este do Escrevendo Só, quanto menos retinto você for, menos racismo sofrerá e mais suas características brancas serão valorizadas. É por isso que muitas pessoas as quais se intitulam pardas aqui têm dificuldades para se identificarem com a comunidade negra. Um grande exemplo para isso foi a polêmica que surgiu este ano com o namorado da youtuber Jout Jout, o Caio. Ele que nunca quis aparecer nos vídeos dela, foi forçado a se expor, pois ao mesmo tempo em que era alvo de racismo tinham pessoas afirmando que “ele nem era tão negro assim”.

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Este é o Caio. Confira aqui o vídeo onde ele discute sobre ser negro ou não.

É por conta de problemas como o branqueamento que precisamos falar mais sobre racismo e ter consciência de nossa história. Como brasileirxs precisamos entender que da mesma forma em que somos produto de etnias distintas, é indispensável cultivar a visão de que uma delas foi valorizada em detrimento das outras, sim! Infelizmente ambientes que deveriam promover essa discussão, como as escolas, quase nunca estão preparados. Entretanto, se felizmente você do lado daí tem conhecimento acerca disso, não se deixe silenciar. Fale, grite! Escolha bem suas batalhas e plante a ideia da mudança.

E isso não é uma questão a ser defendida puramente por pessoas negras. Quando um conhecido for preconceituoso não deixe passar! Lembre que o branqueamento era utilizado como pretexto de desenvolvimento do Brasil, contudo, a História mostra que muitos de nossos avanços ocorreram com o trabalho das comunidades marginalizadas e se quisermos continuar evoluindo a pauta racial não pode ser ignorada.

Confira aqui o post sobre Colorismo do blog Escrevendo Só!

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Não se cale!

+ sobre branqueamento no Brasil:

E aí, já tinha ouvido falar na política de branqueamento em nosso país? Qual o seu papel para mudar os resquícios dela? Participe da discussão nos comentários! Sugestões e dúvidas também são bem-vindas. Não deixe de compartilhar este post com seus amigos e amigas e, é claro, de acompanhar o blog pelas redes sociais! Um super abraço e até mais! 😉

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