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Maia Vox TV: 5 coisas que aprendi em 2 anos de cabelo natural!

Oi gente, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!😉

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Como eu avisei aqui na semana passada há duas semanas, no vídeo de reativação do Maia Vox TV, finalmente chegou o vídeo em que divido com vocês 5 coisas que aprendi em 2 anos de cabelo natural.

Clique aqui para conferir a série sobre Transição Capilar no blog!

Quem acompanha o blog há um tempinho sabe que escrevi bastante sobre minha transição capilar. Faltava apenas falar sobre o que aconteceu depois desse processo todo. Pretendo ainda compartilhar mais dicas e descobertas dessa vida de cabelo natural.

Por enquanto, vamos lá conferir o último vídeo!

Confira aqui o post sobre Cronograma Capilar!

Vídeo sobre Big Chop!

E aí, o que achou do vídeo? Já passou pela transição capilar? Como você cuida do seu cabelo! Deixe sua opinião aqui nos comentários! E ah, não se esqueça de se inscrever para não perder nenhuma atualização! 

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#empoderar12: 6 mulheres negras da nossa história: Aqualtune, Dandara, Tereza de Benguela, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez.

Oi, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!😉

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Sexta-feira passada foi o 13 de Maio. Ao contrário do que é repassado em muitas escolas Brasil a fora, a assinatura da Lei Áurea em 1888 pela Princesa Isabel não foi um ato de benevolência da majestade. Estava mais para um ato bem interesseiro, de lucros além-mar. Logo após a assinatura, os ex-escravos que não continuaram nos antigos postos de subordinação, já que não eram bem-vindos nos centros urbanos, ocuparam os morros.

Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Êle continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

Machado de Assis. Crônica publicada no jornal Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888. Trecho retirado de Geledés.

Estamos aqui 128 anos após a tal lei e a população negra ainda sofre com os resquícios dos tempos de cativeiro.

Minha princesa nunca foi Isabel. Minha princesa é Dandara!

Seguindo a ideia dos últimos 8 de marços aqui no blog, reuni nesse post 6 mulheres negras importantes da nossa história brasileira, comumente apagadas dos livros. Conheça hoje Aqualtune, Dandara, Tereza de Benguela, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez!

Confira ainda aqui no Maia Vox:

Aqualtune:  Princesa do Congo no século XVII. Guerreira africana, liderava tropas no seu país de origem. Aqui no Brasil, não se rendeu ao sistema escravocrata e o mais rápido que pode fugiu e se reuniu no Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, Alagoas. Carregando seu legado real, foi líder quilombola, e herdaram seu dom Ganga Zumba, seu filho, e Zumbi dos Palmares, seu neto.

Fonte: Espaço Aqualtune – Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Dandara: Muito além de ser esposa de Zumbi dos Palmares, Dandara era uma das lideranças femininas no quilombo dos Palmares.  Além de ajudar na comunidade com a plantação, a produção de farinha de mandioca e a caça, ela defendia seu território, fosse com a capoeira, empunhando armas ou liderando as falanges femininas do exército negro palmarino.

Fonte: Dandara: A Face Feminina de Palmares – Geledés

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Da esquerda para a direita: Carolina Maria de Jesus, Luíza Mahin e Lélia González. Imagens: Reprodução.

Tereza de Benguela:  também guerreira como Dandara e Aqualtune, Tereza liderou o quilombo de Quariterê, em Mato Grosso, no século XVIII. Este cresceu tanto sob seu comando que chegou a agregar índios bolivianos e brasileiros. Obviamente, isso incomodou bastante as Coroas espanhola e portuguesa. Depois de muita luta, infelizmente Tereza foi presa. Entretanto, recusou-se até o último instante a uma situação de escravizada, suicidando-se.

Fonte:A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA DAS MULHERES DE VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE – Elen Luci Prates – CEFAPRO Cuibá

Luíza Mahin:

Luíza Mahin, “uma negra, africana livre, da Costa da Mina”, mãe do poeta Luiz Gama, é idealizada e reverenciada por segmentos da sociedade brasileira associados aos movimentos negros e à valorização da história e cultura afrobrasileiras, sendo representada pela memória histórica como uma quitandeira que foi escrava de ganho e que sempre resistiu ao cativeiro. Uma mulher insubordinada, que se tornou símbolo de luta e resistência negra, configurando um mito para a população afrodescendente.

Fonte: Trecho de LUIZA MAHIN ENTRE FICÇÃO E HISTÓRIA, de ALINE NAJARA DA SILVA GONÇALVES para UNEB (UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA).

Carolina Maria de Jesus:

 Nascida em Sacramento (MG), Carolina mudou-se para a capital paulista em 1947 […] Apesar do pouco estudo, tendo cursado apenas as séries iniciais do primário, ela reunia em casa mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela, um dos quais deu origem ao livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.

Fonte: Trecho da Biografia  de Carolina Maria de Jesus – Educação UOL

Lélia González: Descolonização do saber e da produção de conhecimento era um dos pensamentos de Lélia González, intelectual negra brasileira, defensora de um feminismo afrolatinoamericano. “Atuou como desencadeadora das mais importantes propostas de atuação do Movimento Negro Brasileiro. Participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), em nível nacional, do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras-RJ, do Olodum-BA, dentre outros.”

Fontes:

Recomendo a você que leu todo o post a tirar um tempinho depois e conferir todas as fontes que disponibilizei. É importante para nós brasileirxs conhecermos parte de nossa história que nunca foi contada!

Já conhecia alguma dessas mulheres incríveis? Quais outras você acha que deveriam aparecer aqui também! Deixe sua opinião nos comentários! Também acompanhe o blog pelas redes sociais! Um beijo e até a próxima!😉

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#empoderar11: Se Lemonade fosse gravado no Brasil!

Quem é vivo sempre aparece! E por isso estou aqui para escrever finalmente sobre o álbum visual causador de infartos da Queen Bey. Até parece que euzinha deixaria de falar sobre isso aqui.

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Para quem ainda sim não está atualizado com o último trabalho da Beyoncé, eu ajudo com uma explicação simples. Lemonade, ou Limonada em português, é o sexto trabalho da Bey em carreira solo e é de longe o mais corajoso. Ao mesmo tempo em que a estrela fala sobre traição e apela para sua herança cultural, ela não se distancia dos debates sociais e raciais dos EUA, que vivem um tempo louco com aqueles apoiadores do Donald Trump, mas isso é pano para outra manga.

Antes de qualquer coisa dessas Lemonade é descrito como um projeto conceitual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de cada mulher (conceptual project based on every woman’s journey of self-knowledge and healing.), sobretudo das mulheres negras.

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É claro que como o lançamento da canção Formation, muita polêmica envolve Lemonade. Ouvindo o álbum, me peguei pensando: Será que teríamos tantos limões aqui no Brasil para uma limonada assim? Veremos!

Confira aqui o post sobre a canção Formation no blog!

Primeiro de tudo, para Lemonade ser gravado aqui no Brasil, Beyoncé seria genuinamente brasileira. Seus pais não seriam do Alabama e da Louisiana, mas sim dos interiores da Bahia e do Rio de Janeiro, onde os resquícios dos grandes engenhos permanecem. As referências ao Mardi Gras de Nova Orleans em Formation seriam do nosso carnaval. O country da faixa Daddy Lessons seria substituído pelo samba de raiz. Se Lemonade fosse gravado aqui no Brasil Karol Conká, Yzalú, Magá Moura e Monique Evelle seriam minhas apostas para aparecerem no trabalho assim como a dupla Ibeyi, Winnie Harlow e Amandla Stenberg apareceram na versão gringa.

Conheça a multi talentosa Amandla Stenberg aqui no blog!

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Na parte esquerda do corrimão: Chloe Bailey as irmãs Ibeyi. Na parte direita: Beyoncé, Amandla Stenberg, Halle Bailey e Zendaya Coleman.

Se Lemonade fosse gravado aqui não teríamos um partido como o Panteras Negras para homenagear nos gramados de um Super Bowl. Algo parecido foi extinto pela ditadura do Estado Novo, mas ainda assim poderíamos homenagear as mulheres negras apagadas na nossa história, como Aqualtune, Dandara, Luísa Mahin e Carolina Maria de Jesus.

Mas isso tudo seria na visão do trabalho da nossa Beyoncé brasileira. O que falar da distribuição da obra?

Se Lemonade fosse gravado aqui no Brasil não causaria tanto estardalhaço, pois certamente não seria televisionado como foi lá fora. Ao avesso, seria sufocado pela grande mídia, como são os trabalho de gente que abre um novo momento em nossa música, como Yzalú, Liniker e Criolo. Serão esses trabalhos ácidos demais?

Se Lemonade fosse gravado aqui no Brasil não reconheceríamos os rostos das mães daqueles que perderam para a brutalidade policial erguida em nossa sociedade racista. Afinal, qual de nós se lembra de ver o nome desses jovens negros no destaque dos jornais? Imagine só o rosto de quem os criou! Mal nos lembramos da Cláudia! A Cláudia da Silva Ferreira, mãe de quatro filhos, arrastada até a morte por uma viatura há dois anos e ainda sem a devida justiça feita.

Confira aqui o post sobre brutalidade policial contra a juventude negra no Brasil!

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Cláudia. Imagem: Think Olga.

Resumindo, se Lemonade fosse gravado no Brasil seria velado como o racismo é por aqui.

Pergunto agora: mesmo encobertos pelas folhagens, será que já não temos limões o suficiente? Será até que as limonadas já não estão prontas? Essa conversa ainda continuará ácida para quem? E até quando?

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Qual a sua opinião sobre o novo álbum da Beyoncé? Já tinha escutado? Qual faixa mais curtiu? E o que achou da discussão levada por ele? Deixe nos comentários! Também compartilhe e acompanhe o Maia Vox pelas redes sociais. Até mais!

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Reativação do Maia Vox Tv!

Oi, tudo bem com você? Eu espero que sim!😉

Finalmenteee o canal do blog está reativado! Você já pode conferir algumas das novidades que virão no vídeo de hoje!

Anote na agenda: Sábado que vêm tem vídeo novo! “5 coisas que eu aprendi com 2 anos de cabelo natural”! Aproveite e chame xs amigxs pelas redes sociais!

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Não se esqueça de já se inscrever no canal! Um ótimo sábado e até mais!😉

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#distrair11: Youtubers para conhecer ontem!

Oi, tudo bem com você? Eu espero que sim!😉

youtubers para conhecer ontem promo

O Youtube hoje é uma das maiores plataformas online do mundo, onde qualquer pessoa pode expor sua opinião por um vídeo super curto. Ao mesmo tempo que é lugar para preconceitos serem despejados, muito maior que isso é a quantidade de aprendizado que se pode tirar de lá. Já tem gente que sobrevive por meio dessa plataforma, os chamados Youtubers, que dão um duro danado para postar vídeos frequentemente e entreter seus seguidores.

Tenho que confessar que assim que comecei a pesquisar vídeos para o post de hoje passei a tarde fazendo maratona, mas enfim mostrarei três canais do Youtube maravilhosos que acompanho: IISuperwomanII, Neggata e Muro Pequeno!

IISuperwomanII: iisuperwomanii-cdnbizA canadense Lilly Singh, mais conhecida como Superwoman, acumula hoje mais de 8 milhões de inscritos. Ela não se cansa em dizer que o objetivo com seus vídeos é sempre fazer alguma pessoa sorrir e tira isso de letra. Porém, essa não era realidade há algum tempo, pois Lilly sofria de depressão.  Na jornada contra a doença, já com alguma melhora, ela foi de férias com a família à República Dominicana e após a viagem decidiu apostar no Youtube. Deu tão certo que hoje ela faz shows pelo mundo na turnê A Trip for Unicorn Island (Tradução livre: Uma viagem para Ilha Unicórnio)! Não é só um show ali e outro acolá no Canadá, são em países diferentes! Da Austrália, passando pela Índia, Reino Unido, China, Estados Unidos até chegar em Singapura!

O que assistir? Os vídeos que mais gosto da Lilly são os Type of People (Tipos de Pessoas) e My Parents React (Meus Pais Reagem), com as personagens Paramjeet e Manjeet (melhores pessoas kkkk❤ ). Mesmo ela não sendo rapper como queria ainda criança, Lilly tem clipes muito bons como IVIVI e Clean Up Anthem. Outro motivo importante para assistí-la: ela é da BeyHive (fã de Beyoncé)!!! Dê uma passada lá, porque não existe jeito melhor de treinar o inglês do que rindo muito!

Negatta:

Você já ouviu falar na campanha “Ah, branco, dá um tempo!”? Pois então, a iniciativa partiu de Lorena Monique, estudante da UnB (Universidade de Brasília). Inspirada na campanha “I, too, am Harvad” (Eu, também, sou Harvard), através de uma página online e da hashtag #ahbrancodaumtempo, Lorena coletou depoimentos de estudantes universitários negros aqui no Brasil em como lidam com o racismo diário. Isso rendeu um documentário com o mesmo nome da campanha, filmado na UnB, que ganhou destaque até em jornais estrangeiros.

Eis que num belo dia Monique resolveu mandar a real também no Youtube. No canal Neggata ela já falou sobre Apropriação Cultural, Feminicídio, Feminismo Negro, racismo no Carnaval e promete colocar mais ainda o dedo na ferida daqui para frente.

Leia aqui os posts de Feminismo Negro do blog!

O que assistir? Além do documentário “Ah, branco, dá um tempo!”, confira o vídeo 7 Mitos da Apropriação Cultural. Também não perca a chance de entender o que é feminismo negro em Feminismo Negro e Pizza. E se você aí passa ou já passou pela transição capilar, recomendo assistir Eu Não Sou Só o Meu Cabelo. Existe uma mensagem muito boa por trás disso.❤

Muro Pequeno:

Quando a tal da empatia funciona ela aparece em lugares como o canal do Murilo, que ainda é novo, mas guarda um conteúdo incrível! Como bicha negra católica e militante, como ele próprio se descreve, Murilo tem muitas ideias para trocar e através de seus vídeos leva para outras pessoas temas já comuns nas rodas de movimentos sociais, tudo isso de forma descontraída e didática. Daí o nome do canal ser Muro Pequeno, porque qualquer pessoa pode ultrapassá-lo e entender o que se passa do outro lado. 

Leia o post sobre Empatia aqui no blog!

O que assistir? Branco demais para ser preto, preto demais para ser branco, para se aprofundar no tema do colorismo; Lugar de Fala, lugar de escuta, para não darmos pitacos quando não somos chamados, e o mais recente, Probleminhas que não percebemos antes, para lembrar que tudo bem mudar de ideia.

Entenda um pouco mais sobre Colorismo aqui no blog.

Nessa vibe toda de Youtube vou aproveitar para avisar que: O MAIA VOX TV VOLTA SÁBADO! Sim, finalmente o canal do blog vai ser reativado! Então já se inscreve para acompanhar todos os vídeos!❤

E aí, gostou das indicações? Já conhecia alguns dos três canais? Deixe nos comentários! Não deixe de compartilhar o post e seguir o blog nas redes sociais para mais novidades! Abraços e até mais!😉

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#celebrar11: Encontro de Crespxs e Cacheadxs de Aracaju!

Oi, gente! Tudo bem com vocês? Eu espero que sim!😉

Por motivos mais que especiais o blog começa esta semana celebrando o Encontro de Crespxs e Cacheadxs de Aracaju, que aconteceu no último domingo na Praça da Sementeira.❤

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Confira aqui a sessão de posts “Celebrar”.

O tema dessa edição do encontro foi “AFROntando o Racismo”, em que se discutiu não só a jornada capilar de cada participante do evento, mas também como suas experiências se relacionavam com o racismo. A oportunidade ainda serviu para conversar sobre estratégias de luta contra esse problema social.

Leia aqui todos os textos sobre Racismo no blog!

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Para completar ainda teve afroempreendedorismo, feirinha de trocas, contos africanos, oficina de turbantes e bastante música.

Ah, os looks dos participantes foram um show a parte! Da raiz do cabelo às pontas dos pés tudo ali representava aceitação e identidade. Parecia que eu estava num festival de música como o AfroPunk!

Já conhece o AfroPunk? Ele não é apenas um festival, mas também um movimento. Clique aqui e leia o post no blog!

Clique sobre as fotos para vê-las ampliadas.

Essa foi a primeira vez que fui a um encontro do tipo. Saí de lá ultra renovada e fortalecida. Espaços como esses são preciosos, porque amplificam a voz de quem muitas vezes é silenciadx. Por isso, recomendo a quem nunca foi a um evento assim, participe!

Clique sobre as fotos para vê-las ampliadas.

Procure saber de coletivos em sua cidade que organizam esses momentos. Grupos nas redes sociais, como o Crespxs e Cacheadxs de Aracaju, são um bom começo. E se não tiver, por que não juntar uma galera e fazer um movimento assim? Pode ter certeza de que o tombamento vai ser forte!

*Mais tarde postarei outras fotos juntas a essas! Aviso na Fan Page!😉

E aí, o que achou? Já foi a algum encontro desses? Por sinal, você aí estava lá nesse último domingo? Deixe nos comentários! Também acompanhe o blog pelas redes sociais e compartilhe o post com xs amigxs! Um super abraço e até mais!😉

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#empoderar10: Gostar de uma cantora negra não te faz menos racista!

Oi, tudo bem com você? Eu espero que sim!

Hoje finalmente chegamos ao décimo post da sessão EMPODERAR. Foram tantos assuntos já debatidos: de amor próprio a mulheres incríveis, de apropriação cultural a embraquecimento.

Confira todos os posts de EMPODERAR aqui no blog!!!

Conversaremos agora sobre a polêmica surgida a partir da paródia de Work, hit atual de Rihanna em parceria com o rapper Drake, feito por Kéfera Buckman e Gustavo Stockler, ambos youtubers brasileiros com milhares de inscritos em seus canais.

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Nesse post não me deterei às questões de desigualdade de gênero reproduzidas na paródia. Para isso recomendo o texto incrível da Carla Silva (logo abaixo). E não, eu não vou falar apenas se teve black face no vídeo. Isso porque escrevo este texto fugindo da redução aos mesmos moldes que o debate sobre racismo por conta da tal paródia foi diminuído a uma richa de paixões, de gostar ou não da Kéfera, por gente que não entende que racismo não é só chamar de macaco.

De mulher para mulher: uma conversa sobre a paródia de “Work”, da Kéfera. – Carla Silva em Portal It Pop

Antes de continuar o post, recomendo assistir a coleção de snaps em que a Kéfera tentou se defender. Clique aqui.

Black face.

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Muitas pessoas, a partir desta imagem, começaram a dizer que o Gustavo teria se pintado com maquiagem mais escura para simular a pele negra do Drake. Imagem: Instagram @gustastockler.

Uma das acusações de racismo na paródia de Work de Kéfera e Gustavo foi a de black face. Mas o que é isso? É uma prática que surgiu no século XIX nos chamados shows de menestréis, em que atores brancos pintavam-se de preto para escrachar a figura da pessoa negra. Porém black face é mais do que isso. É um estilo de entretenimento baseado em esteriótipos racistas que começou com os shows de menestréis e continuam até hoje no inconsciente coletivo.

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Foto em que Kéfera postou do antes e depois da gravação da paródia para provar que não se usou uma maquiagem mais escura. Imagem: Instagram @kefera.

Mas será essa a primeira vez que Kéfera está envolvida numa acusação de black face? Não! No carnaval de 2013, ela fez mais uma “paródia” ultrapassando todos os limites do respeito, fantasiando-se da versão brasileira do black face, a nega maluca. O vídeo hoje não se encontra mais no canal dela, mas ainda é possível assisti-lo ao clicar neste link.

Pelo depoimento dela neste último episódio dá para ver que em três anos ela finalmente decorou o significado de black face, só falta aprender a não reproduzir racismo de uma vez por todas.

Falemos então do Gustavo, afinal a Kéfera não estava sozinha nessa. Diferente dela, ele resolveu não se posicionar sobre o ocorrido, mas era o principal acusado da tal prática racista.

Mas nem foi black face! Ele é negro! Como dito antes, infelizmente o black face não se retém a figura do branco pintado de preto. Tivemos ainda o black voice, extensão do black face em programas de rádio, em que pessoas brancas reproduziam uma fala supostamente das pessoas negras com o intuito de ridicularizá-la.

Mais recentemente também, Hollywood decidiu pintar Zoe Saldana, uma atriz negra, para representar a cantora Nina Simone, cantora também negra, sucesso da década de 60 e importante ativista no Movimento dos Direitos Civis nos EUA. A diferença é que o racismo aí se manifestou com o colorismo, pois a indústria cinematográfica achou por bem escurecer com maquiagem a pele de uma atriz para interpretar um ícone da música que sofreu bastante por ter a pele retinta e se posicionar contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Conheça quem foi Nina Simone neste post do blog: #distrair6 – 6 mulheres que mudaram o mundo da música.

Entenda o que é colorismo com o post parceiro do blog Escrevendo Sozinho.

Mas ele não é negro, é indígena! Em muitos de seus vídeos, Gustavo cita sua ascendência indígena. Ele pode até não ser obrigado a explicar como entende sua identidade racial por isso ser também questão pessoal, mas o que estou tentando explicar é que o racismo encontra sempre novas formas de se entranhar na nossa cultura.

Nessa polêmica toda, mais importante do que saber se teve black face ou não é entender que estamos num mesmo barco que afunda em preconceitos e ignorá-los não acaba com o nosso afogamento em desigualdades.

Para saber mais sobre Black Face:

Gostar de uma cantora negra não te faz menos racista!

Ela não é sua carta de defesa contra acusações de racismo. Nem suas amigas e amigos negros. Nem seus professores. Nem seus companheiros. Nem sua bisavó e seu tataravó. Muito menos os dois nomes de intelectuais negros que você gravou dentro de uma academia embraquecedora.

Clique aqui e leia sobre a Política de Embraquecimento que existiu no Brasil e os seus reflexos atualmente aqui no blog!

Conectando com a paródia, temos uma questão de apropriação cultural, aquela história de gostar da cultura negra, mas não dos negros. No caso existia uma linha tênue entre a suposta homenagem para a Rihanna e apropriação cultural, que foi quebrada e puxada para o segundo lado a partir do momento em que Kéfera respondeu de forma preconceituosa, escancarando mais uma vez o racismo dentro dela – porque não moça, querer dizer o que é sofrer racismo sendo uma pessoa branca é silenciador e opressor.

Clique aqui para ler os textos sobre Apropriação Cultural no blog!

Como diz a Karol Conká: o preconceito velado tem o mesmo efeito, mesmo estrago. Raciocínio afetado falar uma coisa e ficar do outro lado. A sociedade só não esquece que Rihanna é negra porque 1) ela é estrondosamente famosa ao redor do mundo e 2) ela transparece no trabalho o orgulho de sua identidade racial.

Recomendado: Work, work, work: Isso é Patois – por Bárbara Paes para o Ovelha Negra.

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Rihanna na premiação “Black Girls Rock” neste ano: “Mas isso é por que a noite de hoje é tão importante para mim. Porque eu penso que posso inspirar muitas mulheres jovens a serem elas mesmas, e isso é metade da batalha.” Imagem: Reprodução.

No entanto, sendo Riri poderosa do jeito que é, ainda falam “mas ela nem é tão negra assim”. Enquanto isso, nós, pessoas negras, ainda ocupamos espaços de subserviência por razões históricas. Ainda continuamos morrendo por conta delas. Deixe-me repetir: M-O-R-R-E-N-D-O.

O tal do vitimismo e o mimimi.

Na sua defesa por via do aplicativo Snapchat, Kéfera disse:

“…tiveram algumas pessoas, na sua maioria negras, que disseram se sentir ofendidas com a paródia…não entendi quem se sentiu ofendido…” (no segundo link que coloquei aqui, a fala começa no minuto 1:40 e vai até o 2:00).

Um outro desfavor também foi feito pelo youtuber Felipe Neto ao dar sua opinião sobre a polêmica com a paródia de Work. Ele, que achou ruim quando a Lupita Nyong’o foi eleita a mulher mais bonita do mundo pela Revista People. O mesmo que fez um vídeo com uma mulher negra para não se dizer racista, disse:

“…embora eu ache que não tem nada de errado se o Gusta tivesse se pintado de preto para fazer um personagem, visto que era importante para o clipe e não estaria interpretando um escravo, ele não fez isso. O chilique é completamente equivocado. E aí vem o que me irrita, que é o argumento que diz que se uma minoria disse que sofreu preconceito você não pode discordar dela”. Neste link, do minuto 1:26 até o 1:51.

Pessoas, não é porque se gravou o significado de black face ou se tem uma conhecida negra que você é menos racista! Não diga para um grupo oprimido o que é sofrer a opressão e esperar que fiquemos todos calados!

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“Essa foi a coisa mais estúpida que já ouvi.” Imagem: Reprodução.

Racismo não é só xingamento! Racismo é sobre poder! Não é só uma vez na vida que sofremos! E ainda que fosse, ninguém merece ter sua humanidade duvidada uma vez sequer, mas não, é todo santo dia! É quando o fiscal da loja nos persegue. Quando pensam que sempre somos a empregada ou o porteiro. É quando fazem chiado pelas cotas raciais. Quando nos negam atendimento médico. É quando nos deixam morrer e os culpados não são julgados por serem brancos. Superar toda essa porcaria não é fácil! Nem todos nós conseguimos! Então repito, não venha dizer o que é ser oprimido quando você é o opressor, querendo ou não.

Não venha diminuir a luta!

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Ocupada demais com a coroa para se importar com a estupidez alheia. Imagem: Reprodução.

Essa mania de não entender o todo, reduzir o debate a maniqueísmos é o que perpetua toda e qualquer forma de preconceito. Nesse contexto, ninguém se mostra disposto a reconhecer suas atitudes errôneas, ainda mais quando são chamadas de racistas, e por fim acabam se defendendo de uma forma mais preconceituosa ainda.

Embora as intenções possam ser as melhores possíveis, ações superam intenções. Por isso entender nossa posição na sociedade, reconhecer nossos privilégios é fundamental para sabermos o nosso lugar de escuta e nosso lugar de fala.

“Nossa, mas é irônico ficar falando desses youtubers, porque assim o Ibope aumenta e eles ganham mais dinheiro.” Podem continuar ganhando o dinheiro que for, mas carreiras erguidas em racismo não mais passarão. Vamos fazer muito mais barulho, porque como diz a maravilhosa da Inês Brasil: se me atacar, eu vou atacar.tumblr_o1q48f9c1a1v5u1pwo1_500.png

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